segunda-feira, 28 de março de 2011

O plano de voo de Dilma

Claudia Safatle publicou há vários dias o texto abaixo analisando a entrevista que a presidente Dilma concedeu ao Jornal Valor Econômico. Dado o interesse e a acurácia do comentário, resolvi postá-lo.

um abraço e boa leitura.




O plano de voo de Dilma
Claudia Safatle - 19/mar/2011

Uma leitura atenta da entrevista que a presidente da República, Dilma Rousseff, deu ao Valor, ontem, feita por pessoas muito próximas a ela, identifica mensagens importantes não só sobre os objetivos da política econômica deste governo, mas também sobre quem ela considera como sua equipe nessa área.

Nas declarações da presidente, segundo essas fontes, estão alguns recados claros: a responsabilidade pela política econômica é dela; os dois principais gerentes dessa política e nos quais ela confia são o ministro da Fazenda, Guido Mantega, e o presidente do Banco Central, Alexandre Tombini; e, a partir dessas duas informações, uma terceira fica subentendida - a recomendação para que não se aposte numa disputa entre Mantega e o ministro-chefe da Casa Civil, Antonio Palocci. "Ou eles vivem juntos ou morrem juntos", afiançou uma das fontes.

Algumas áreas do governo consideram que a disseminação da descrença na gestão fiscal do ministro da Fazenda e as insinuações de que faltam ao presidente do BC experiência e pulso firme têm origem no sistema financeiro. Viria dos bancos, segundo essa interpretação, uma torcida para que Palocci viesse a ter mais peso na concepção do arcabouço econômico.

Mantega e Palocci "vivem juntos ou morrem juntos"
O sistema bancário ainda não se conformou com a inovação na política monetária introduzida por Tombini, que combina aumento dos juros com medidas prudenciais (de regulação do crédito e dos riscos). Até então, nos oito anos de governo Lula, os bancos viveram uma situação confortável. Seus economistas conheciam bem o raio de atuação do BC, que tinha um objetivo - controlar a taxa de inflação - e um instrumento - a taxa básica de juros (Selic). Ao reconhecer, no pós-crise global, a necessidade de medidas macroprudenciais como um substituto ao exagero no aumento dos juros, o Banco Central introduziu elemento de incerteza sobre o curso da política monetária. E incerteza gera desconforto.

Dilma, na entrevista, abordou um aspecto dessa inquietação: "Não sei se não estão tentando diminuir a importância desse Banco Central porque não tem gente do mercado na sua diretoria", disse.

O fato de o BC ter como diretores, atualmente, só funcionários de carreira incomoda o mercado que vê nessa conformação a raiz de uma eventual fragilidade política da autoridade monetária. Como funcionários da casa, de acordo com essa visão, os diretores do BC teriam um suposto compromisso com suas carreiras e com a hierarquia do poder público.

É difícil imaginar, porém, que Tombini, depois de presidir a instituição, volte a exercer alguma outra função no BC com a qual ele tenha que se preocupar agora. Restará a ele ir para o setor privado ou para a academia.

Dilma disse que não tem nada contra a presença de representantes do mercado na diretoria do BC, que conta hoje com duas vagas (de Estudos Especiais e de Normas) que podem perfeitamente ser preenchidas por nomes do setor financeiro.

A presidente também renovou seu aval à política fiscal em curso - que desacelera o crescimento dos gastos - como elemento chave do programa econômico do governo, que mira o combate à inflação sem derrubar o crescimento econômico. Ela quer levar a inflação para o centro da meta de 4,5%, mas rejeita a hipótese de fazer isso às custas de uma redução severa no ritmo de crescimento do PIB.

É difícil, no entanto, esperar um aumento de 4,5% a 5% do PIB este ano, como a presidente demarcou. Mas não é impossível crescer algo próximo a 4%, avaliam as fontes do governo, encerrando o ano com uma variação do IPCA em torno de 5%.

Os efeitos dos desastres no Japão sobre a economia mundial ainda são de difícil mensuração. A presidente abordou esse assunto com cautela e acredita que os preços internacionais do petróleo podem subir. Na área econômica do governo, há outros temores, inclusive dos impactos de uma desvalorização da taxa de câmbio sobre o elevado endividamento externo das empresas e bancos. Em "compasso de espera" para ver os desdobramentos da tragédia japonesa, o governo desacelerou a preparação de medidas cambiais.

Os mais ortodoxos vão encontrar inconsistências nas declarações da presidente. Seja quando ela discorda de que a inflação no país seja decorrente do excesso de demanda, ou quando atribui ênfase especial ao combate à inflação e, ao mesmo tempo, faz uma defesa contundente da indexação do salário mínimo.

Antiprivatistas torcerão o nariz para a decisão de fazer concessões dos aeroportos e os reformistas se decepcionarão com a falta de ambição do governo nessa área.

Dilma, acima de tudo e a despeito de questões ideológicas, delineou seu plano de voo para os próximos quatro anos. E fez isso de forma pragmática.

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O jornalista Sidnei Basile formou uma geração de jornalistas na qual me incluo. Nos ensinou que o jornalismo é um serviço de fé pública. Que devemos exercer a profissão com elegância, precisão e correção. Sua morte nos priva de um amigo, de um mestre e de um incansável defensor da liberdade.

Claudia Safatle é diretora-adjunta de redação e escreve às sextas-feiras

E-mail claudia.safatle@valor.com.br

http://www.valoronline.com.br/impresso/brasil/97/399191/o-plano-de-voo-de-dilma

quinta-feira, 24 de março de 2011

Canadá investe para atrair mais brasileiros

Reportagem de Alberto Komatsu publicada no Valor Econômico e disponível no link abaixo.

Toronto e a imponente Tower
A Comissão Canadense de Turismo (CTC) anuncia hoje ao mercado turístico brasileiro um investimento no país de US$ 1,5 milhão, em 2011, para estimular o número de turistas brasileiros no Canadá. Esses recursos integram um pacote global de investimentos da CTC que alcança US$ 73,4 milhões.
No ano passado, cerca de 80 mil brasileiros visitaram destinos canadenses, um crescimento de 30% em relação ao ano anterior. Para 2011, a meta é atrair pelo menos 92 mil brasileiros, conta a diretora regional da CTC para mercados emergentes, Siobhan Chretien.
De acordo com ela, o objetivo desse investimento é fazer com que o Canadá seja conhecido pelos brasileiros não apenas pelos destinos de inverno, com neve e esqui, mas também como alternativa de lazer no ano inteiro.
"Brasileiros e canadenses são muito parecidos. Gostam de muita alegria, são cosmopolitas e adoram bons restaurantes, compras e cidades com arquitetura moderna", afirma Siobhan.
Ela lembra que há muitas atrações turísticas no Canadá fora do inverno, como festivais de culinária e cinema. "Queremos que os brasileiros visitem o Canadá também no verão, no outono e na primavera. Nas quatro estações", diz Siobhan.
Além de campanhas promocionais, parte dos investimentos da CTC no mercado brasileiro também são destinados a treinamento on-line. A diretora da CTC no Brasil, Sheila Nassar, conta que funcionários de operadoras de turismo, por exemplo, podem receber informações sobre promoção turística no Canadá, como destinos de verão e cidades com atrações noturnas, de compras e gastronômicas via internet. Segundo ela, em torno de 80 operadoras turísticas brasileiras trabalham em parceria com a comissão canadense.
Dados colhidos pela CTC mostram que o gasto médio do brasileiro, no Canadá, foi de US$ 1,6 mil, em 2009. Siobhan diz que é um dos maiores gastos de turistas estrangeiros no seu país. Ainda em 2009, somente os brasileiros movimentaram na economia canadense US$ 97,6 milhões.Pesquisa realizada pela CTC indica que o Canadá é o quarto destino turístico mais pretendido pelos brasileiros. Fica atrás de Estados Unidos, França e Espanha. Além do mercado brasileiro, o foco da CTC em mercados emergentes inclui Coreia do Sul, México, Índia e China, entre outros.

http://www.valoronline.com.br/impresso/empresas/102/401897/canada-investe-para-atrair-mais-brasileiros

terça-feira, 22 de março de 2011

A visita de Barack Obama ao Brasil

A propósito da visita do presidente americano ao Brasil no último final de semana, foram publicados - entre tantos - dois artigos que merecem a atenção: o primeiro da Prof. Dra. Cristina Soreanu Pecequilo, Professora de Relações Internacionais da Universidade Federal de São Paulo (UNIFESP), disponível no Portal Carta Maior e o segundo, escrito pelo sempre brilhante Clóvis Rossi da Folha de São Paulo.
Embora um tanto longos, publico-os na íntegra, pois merecem! Boa leitura.
Roberto Stuckert Filho/Presidência

O ANTES, O DURANTE E O DEPOIS: Barack Obama e o Brasil

Cristina Soreanu Pecequilo

A breve passagem do Presidente Barack Obama no Brasil nos dias 19 e 20 de março de 2011, em Brasília e Rio de Janeiro, foi antecedida por imensa expectativa em alguns círculos, que avaliaram a viagem como um exemplo prático da mudança significativa que a política externa estaria sofrendo no início da administração de Dilma Rousseff em comparação a de seu antecessor Lula (2003/2010). Com base nesta avaliação equivocada, inúmeras imagens foram construídas a respeito do que Obama faria ou diria em solo nacional.

Iniciando com a abolição dos vistos, passando pela conclusão de um acordo comercial bilateral ao estabelecimento de uma ampla parceria energética no campo do petróleo e biocombustíveis até a declaração formal de apoio ao pleito brasileiro de tornar-se membro permanente do Conselho de Segurança das Nações Unidas (CSONU), a agenda destes grupos era extremamente abrangente. Tendenciosas, estas avaliações revelavam uma preocupação extensiva em desqualificar os esforços diplomáticos anteriores. A utilização repetida do termo “normalização”, associado na década de 1990 a uma perspectiva periférica e acrítica, passava a idéia de uma relação sustentada somente em conflitos e que estaria sendo substituída pela reintegração ao núcleo de poder norte-americano. Mais ainda, revelava o permanente desconhecimento sobre as motivações estratégicas dos EUA.

Se em 2011 o Brasil recebeu Barack Obama como uma potência global, isto se deve aos esforços internos e externos do país que o qualificaram a este status de forma autônoma. Esta situação não emerge de um relacionamento de mão única com aquele que tradicionalmente foi o maior parceiro político-econômico brasileiro no século passado, mas da busca de alternativas que permitiram solidificar uma ação internacional consistente e coerente com as necessidades do país. Com isso, as motivações estratégicas norte-americanas não derivam destes cálculos simplistas que permearam o debate sobre a política externa brasileira, mas da percepção de que o Brasil e a América do Sul são mais dois espaços nos quais os EUA perderam posições.

Assim, era preciso para os norte-americanos sinalizar que desejam preservar o Brasil em sua esfera de influência diante deste vácuo, como já o haviam feito diante da China, da Índia e da Rússia em ofensivas diplomáticas similares em contatos bilaterais prévios. E, no caso, no Brasil e na região, os EUA não perderam somente posições para a China, hoje o maior parceiro comercial brasileiro e aliado no grupo BRIC (Brasil, Rússia, Índia e China), ou para a Índia, também no BRIC e no IBAS (Fórum de Diálogo Índia, Brasil, África do Sul), ou para a África do Sul, ou para a Rússia, ou para a cooperação Sul-Sul em geral, mas para o próprio Brasil nas Américas e no mundo.

Positivamente, em meio a estes ruídos prévios e construções ideológicas de determinados grupos que ignoravam estas questões, os sinais de Brasília mantiveram a percepção de que a visita de Barack Obama representava o reconhecimento deste processo de consolidação político-econômica-estratégica. Tais sinais já se encontravam presentes nos encontros preparatórios entre os dois países antes da chegada de Obama, e demonstravam clareza quanto o que significava esta viagem: uma oportunidade de aprofundar e promover maior adensamento estratégico das relações bilaterais, a partir do reconhecimento norte-americano do status global de poder do Brasil.

Tendo esta realidade como ponto de partida, de que se tratava de uma viagem de reconhecimento e não de concessões norte-americanas ou subserviência brasileira, deixou-se claro que esta dinâmica bilateral não afeta as prioridades externas do Estado brasileiro em termos de agenda Sul-Sul ou Norte-Sul, demandas e projeção. Parte da iniciativa de ser lider é criar fatos novos, dimensões positivas de interdependência, ação que os emergentes e o Brasil tem feito cada vez de forma mais constante. Neste campo, assumem responsabilidades por seus próprios destinos, e de nações similares ou de menor poder relativo, em suas escalas regionais e em nível global estatal e multilateral.

À medida que na última década o Brasil não manteve sua política ou agenda econômica, atrelada aos EUA, sua importância diante deste país aumentou, da mesma forma que sua vulnerabilidade diminuiu diante das constantes oscilações da política da potência hegemônica. Em seu discurso no Teatro Municipal do Rio de Janeiro em 19 de Março, Barack Obama mencionou iniciativas brasileiras como a UNASUL (União Sul-Americana de Nações) e projetos sociais direcionados às nações do sul no combate à fome e programas de saúde. Ou seja, o Brasil não era mais só o país do futuro, mas que o futuro teria chegado ao Brasil, como afirmou o Presidente dos EUA.

Fortemente, o país demonstrou não ter ilusões de que este reconhecimento traduzir-se-ia, de imediato, em uma mudança concreta da posição norte-americana em determinados temas. Nestes temas, principalmente no comércio bilateral, arena na qual o Brasil demanda maior igualdade e reciprocidade, e na reforma das organizações internacionais governamentais, principalmente no caso das Nações Unidas e seu CS, a posição brasileira foi de sustentar suas reivindicações. Por sua vez, pode-se até considerar que os EUA responderam positivamente em sua retórica, em suas demonstrações de “apreço” pelo pleito brasileiro, pela fala de Obama a empresários que igualou o país à China e Índia. A retórica, porém, não foi acompanhada pela substância da mudança ou pela sinalização de que os norte-americanos estariam dispostos a fazer concessões para engajar de forma diferente o Brasil nestas dimensões.

Acenar com parcerias para o pré-sal, ações conjuntas no campo energético é sinal do novo papel do Brasil, mas também da natureza pragmática do interesse norte-americano em petróleo, mercados em novos espaços que não surjam como tão conturbados como o Oriente Médio, apostando nas nações “amigas”. E, igualmente sendo pragmáticos, são parcerias que trazem inúmeros riscos ao Brasil, caso o país não busque preservar sua soberania nestas negociações, independente do campo. Neste sentido, o papel, por exemplo, da Comissão Brasil-Estados Unidos para Relações Econômicas Comerciais é o de encontrar pontos de consenso possível e equilibrio no setor, preservando a capacidade negociadora brasileira e sua autonomia. O mesmo raciocínio se estende às arenas da biodiversidade, dos diálogos estratégicos, da cooperação técnica e para a organização e segurança da Copa-2014 e das Olimpíadas-2016. O Brasil não pode se furtar a negociar com os EUA, mas precisa atrelar estas conversações a lograr objetivos que permitam a continuidade de seu crescimento e resolução de assimetrias internas via programas sociais.

Chegando ao mundo “real” não deixa de ser simbólico que enquanto Barack Obama acenava às “nações amigas” da América Latina, como o fez no Brasil, e o fará no Chile, com declarações “históricas” sobre as relações entre “iguais” e a consolidação da democracia, os bombardeios aéreos à Líbia atingissem elevada intensidade, depois da autorização do CSONU à operação na sexta-feira 18/03/2011. Em solo brasileiro, a intervenção foi abordada sob o signo da defesa da democracia e motivos humanitários, enquanto prolongam-se protestos e repressões similares em países aliados norte-americanos na região.

Também não deixa de ser simbólico, que nesta votação do CS, os países que se abstiveram e demonstraram preocupação com a ação, fossem os emergentes membros permanentes deste Conselho e nações pleiteantes, membros temporários eleitos: China e Rússia, somados à Brasil, Índia e Alemanha. São nestas manifestações que se desenha o novo mapa geoestratégico global e as complexas dinâmicas de poder do século XXI que motivam as viagens de Obama e suas declarações de igualdade com seus parceiros.

Porém, como se diz no Brasil, os EUA são um “pouco mais iguais” do que os outros: seu poder militar de superpotência e comando residual das organizações internacionais contrasta com uma economia estruturalmente deficiente e uma sociedade doméstica polarizada. Durante e depois de Obama, o Brasil continua sendo o mesmo de antes, consolidando sua ascensão do nível regional ao global, que busca a continuidade de seu projeto político-social-econômico e estratégico. Com os EUA, e com o mundo, dialogar não é sinônimo de concordar, mas de saber ouvir, negociar e falar em nome do interesse nacional.

(*) Professora de Relações Internacionais da Universidade Federal de São Paulo (UNIFESP)

http://www.cartamaior.com.br/templates/materiaMostrar.cfm?materia_id=17573

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A VOLTA DO VIRA-LATA

Clovis Rossi, de São Paulo, 21/03/2011 - 15h58

O complexo de vira-lata que assola a alma brasileira (segundo Nélson Rodrigues) não poderia faltar na visita do presidente Barack Obama aos trópicos.



Boa parte do noticiário girou em torno de como o "dono do cachorro" o afagaria em sua pretensão de ser integrante permanente do Conselho de Segurança das Nações Unidas. Se seria enfático, se seria suave, se se omitiria, se faria com o Brasil o que fez com a Índia (endosso formal).

É evidente que a posição dos Estados Unidos a respeito do que quer que ocorra no planeta é relevante, por se tratar da única superpotência remanescente, depois do fim da União Soviética (que, aliás, revelou-se superpotência de pés de barro).

Mas daí até ficar pendente de uma palavra do presidente norte-americano como se fosse a tábua da lei vai uma distância considerável que não é preciso percorrer.

O Brasil vai (ou não) ser membro do CS da ONU, o coração do sistema Nações Unidas, pelo que é, principalmente, e também pelo que faz (ou deixa de fazer). Não pelo que diga ou deixe de dizer Obama ou qualquer outro líder.

Nesse sentido, o Brasil é candidato mais que natural a um lugar no CS. É a segunda maior democracia do hemisfério ocidental, depois dos próprios Estados Unidos, é a sétima economia do planeta, é uma zona de paz, que não tem conflito com os vizinhos nem enfrenta problemas étnicos, religiosos etc.

Logo, acabará ganhando sua vaga no Conselho, a menos que seus governantes façam muita besteira. Desde a redemocratização, foram de fato feitas incontáveis asneiras por diferentes presidentes, mas nenhuma delas suficiente para invalidar a condição natural do Brasil como candidato à vaga.

Os dois presidentes mais recentes, Fernando Henrique Cardoso e Luiz Inácio Lula da Silva, puseram o país na agenda do planeta, mais Lula do que FHC, o que não deixa de ser contraditório com a condição de intelectual globalizado deste em contraste com um operário que parecia muito mais voltado para o interior.

É evidente que há críticas --internas e externas-- à algumas ações ou omissões de um e de outro. Eu mesmo, nos espaços que a Folha-papel comete o erro de me emprestar, fiz e ainda faço todas as críticas que achei corretas --e não me arrependo de nenhuma delas. Mas uma coisa é discordar de alguma ação ou omissão, outra, completamente diferente, é entender que ela inabilita o país para voos ainda mais altos.

Ante as condições naturais do Brasil --e olhe que sou o inimigo número 1 do patrioteirismo--, qualquer palavra de Obama beira, no médio e longo prazo, à irrelevância.

Até entendo que a visita acabou produzindo menos emoções que a princípio se supunha, o que leva o jornalismo a se agarrar em detalhes nem sempre relevantes. Mas o público não deve se enganar. Primeiro, a reforma da ONU anda em passo de tartaruga e é razoável supor que a decisão, se chegar finalmente a ser tomada, ficará para a época do sucessor do sucessor de Barack Obama.

Segundo, nesse momento, salvo, repito, a hipótese de uma grande bobagem, o Brasil terá a sua vaga garantida.

http://www1.folha.uol.com.br/colunas/clovisrossi/891820-a-volta-do-vira-lata.shtml

Cautela e cuidado com a inflação

Antonio Delfim Netto 22/03/2011

O problema da inflação no Brasil está sendo tratado pelas novas políticas fiscal, monetária e cambial com o cuidado que merece. Na política fiscal não foi feito nenhum "choque dramático" (porque não era preciso), como exigem alguns fundamentalistas. É certo, entretanto, que as despesas correntes e as transferências da União crescerão menos em termos reais do que o crescimento provável do PIB.

A crítica fundamental a essa política é, curiosamente, "ad hominem": o ministro Mantega foi um gastador (diante de uma deficiência de demanda global); como pode ser um parcimonioso (diante de um excesso de demanda)? Como diria um velho conhecido, "quando a situação muda, eu mudo. E você?"

Na política monetária, a mudança de atitude do presidente Tombini, recuperando velhíssimos instrumentos (agora elegantemente chamados de "macroprudenciais"), tem sido objeto de desconfiança de muitos analistas do mercado financeiro. Apoiam-se numa pretensiosa "teoria monetária", cujos melhores autores em 2008 ainda não mencionavam, em seus "científicos" trabalhos e livros, sequer a palavra "crédito"! Prisioneiros de uma miopia produzida por um modelito de três equações perderam toda a imaginação.

Provavelmente, a manobra exclusiva com a taxa de juros cause menores "distorções" (medidas com relação a um modelo de validade duvidosa), mas também, provavelmente, compensadas no mundo real por um custo maior em termos de sacrifício de PIB. De qualquer forma, ainda que a econometria seja imaginosa, mas precária, existem claros indícios (até recentemente negados) que medidas macroprudenciais podem ser moderadas substitutas do falaciosamente simples aumento da taxa de juros. Aqui também, a crítica é "ad hominem": Tombini é um bom e respeitável técnico... mas é um "pombo"! A hora e o lugar exigiriam um "falcão" (um dos "idiots savants"), que acredita que há leis naturais que regem os mercados, particularmente o cambial.

O mais fantástico é a desconexão entre essas críticas e o que está acontecendo no mundo, particularmente com a revisão do conhecimento econômico. Ele se processa hoje sob o estímulo de quem já foi o maior defensor da equivocada ideologia que produziu o "pensamento único" apoiado numa suposta ciência monetária: o Fundo Monetário Internacional! Foi esse mesmo "pensamento único" que interditou a saudável crítica produzida por diferentes "visões do mundo econômico", que estimulou o controle da economia real pelo sistema financeiro e produziu a crise de 2007/09. No fim, consumiu-se na desmoralização...

Trata-se de uma tragédia. A descrença colocou dúvida sobre todo o conhecimento econômico - talvez seja melhor chamar de "economia política" - que foi e é de extrema importância para a boa governança do setor público e do setor privado. Essa visão niilista é a contrapartida do fundamentalismo: como a teoria econômica "fracassou", tudo é permitido nas políticas fiscal, monetária e cambial. Já sabemos como isso termina. O Brasil já foi vítima de múltiplas experiências desse tipo que tiveram alto custo econômico e social.

Temos hoje uma aceleração da taxa de inflação (e uma deterioração de suas expectativas), que deve merecer toda a atenção do governo. É óbvio que estamos diante de um fenômeno bastante complexo e que não pode ser resolvido satisfatoriamente com a receita suicida de cortar as despesas públicas (a demanda do governo) e aumentar a taxa de juros real para cortar a demanda privada, de forma a reduzir o crescimento do PIB a 3%, a taxa de inflação a 4,5% no fim de 2011 e deixar que a taxa de câmbio atinja o seu valor "natural" determinado pelo mercado.

A taxa de inflação é uma espécie de "radiador" que dissipa o calor das energias perdidas na ineficiência dos setores público e privado. Ela tem duas componentes: uma interna e outra externa. A interna parece ser menos resultado do excesso da demanda global do que da profunda mudança na sua qualidade (serviços não transacionáveis), resultado da própria política redistributiva do governo e do aumento real do salário mínimo.

A rigor, quando corretamente medido, o PIB cresceu em média (4 º trimestre 2010/4º trimestre 2006) 4,3% ao ano e, se não levarmos em conta a depreciação, tivemos formação bruta anual de capital de 8,9%. As fortes taxas de crescimento acumulado em 2010, contra os mesmos trimestres de 2009, são meros artefatos estatísticos, que medem uma recuperação abaixo da capacidade de produção, como se vê no gráfico. O crescimento médio em 2010 foi de 5%, e a formação bruta de capital, sem levar em conta a depreciação, 12%.

A componente externa é muito forte. Trata-se da elevação dos preços internacionais de nossas exportações primárias, que não podem mais ser corrigidos pela "evolução natural" da taxa de câmbio, sem pôr em risco a grande sofisticação do nosso setor industrial, quando comparado com o dos países como nosso mesmo nível de renda per capita.

São esses fatos que justificam a cautela do BC e os cuidados do Ministério da Fazenda.

Antonio Delfim Netto é professor emérito da FEA-USP, ex-ministro da Fazenda, Agricultura e Planejamento. Escreve às terças-feiras

E-mail contatodelfimnetto@terra.com.br

http://www.valoronline.com.br/impresso/brasil/97/400475/cautela-e-cuidado-com-a-inflacao

domingo, 20 de março de 2011

Urso polar Knut morre na Alemanha

O urso polar Knut morreu neste sábado no zoológico de Berlim, na Alemanha. As causas da morte ainda são desconhecidas.



Segundo seu criador Heiner Kloes, Knut foi encontrado boiando no tanque do cativeiro onde vivia.

"Foi um dia completamente normal. Ele estava com as fêmeas um pouco antes, que tinham acabado de ser trancadas", disse Kloes. "Knut passeava por seu cativeiro, entrou na água, teve um curto espasmo e morreu."
Knut ganhou um selo que leva a frase "Proteja a natureza em todo o mundo". Foto de Gero Breloer, EFE
Uma autópsia será realizada nesta segunda-feira para tentar identificar a causa da morte, afirmou o funcionário.
Entre 600 e 700 pessoas estavam no cativeiro de Knut e viram o urso de 4 anos de idade morrer, relatou a agência de notícias alemã DAPD.
Uma visitante disse que assistiu Knut boiar sobre a superfície da água sem movimento, mostrando apenas suas costas por dez minutos, até que os funcionários do zoológico chegaram e cercaram o local.
"Todo mundo se perguntava: 'O que está acontecendo, por que Knut não está se movendo?'", Disse Camilla Verde, uma italiana de 30 anos, que vive em Berlim.
Todos os funcionários do jardim zoológico que cercaram o cativeiro estavam muito tristes. Uma deles disse: "Ele era o nosso bebê."
Como a notícia da morte se espalhou pela cidade, mais fãs de Knut apareceu no jardim zoológico para lamentar sua perda.
O prefeito de Berlim, Klaus Wowereit, classificou a morte de Knut como "horrível".
"Nós todos gostávamos muito dele", disse Wowereit ao jornal B.Z.. "Ele era a estrela dos jardins zoológicos de Berlim."
O urso polar alcançou fama mundial depois de ter sido rejeitado por sua mãe quando nasceu em cativeiro no dia 5 dezembro de 2006. O filhote fofo foi mostrado ao público 15 semanas depois, e o número de visitas ao zoológico praticamente dobrou desde então, segundo as autoridades.
A "Knutmania" virou até capa da revista "Vanity Fair", em 2007, com o ator Leonardo Di Caprio, feita pela famosa fotógrafa Annie Leibovitz.

http://www1.folha.uol.com.br/bichos/891108-urso-polar-knut-morre-na-alemanha.shtml

sexta-feira, 18 de março de 2011

Cão se recusa a abandonar amigo ferido

Não é necessário entender a língua. . .

Diante de demonstrações desse tipo, fico a pensar se somos realmente "inteligentes" ou se nosso discernimento tirou-nos a solidariedade genuína; falta-me muito para atingir esse nível de doação!
veja o vídeo: http://www.youtube.com/watch_popup?v=7-O4rP1Zj6I&vq=medium#t=63

quinta-feira, 17 de março de 2011

Final feliz!

O cachorro Pinpoo foi localizado na noite de ontem (16) após ficar 14 dias desaparecido. Ele havia sumido no aeroporto Salgado Filho, em Porto Alegre, quando deveria ter embarcado para Vitória (ES).
Divulgação
O cão foi localizado por um sargento da Brigada Militar, no aeroporto Salgado Filho, em Porto Alegre. "A mulher dele me ligou e falou 'você pode parar de procurar seu cachorro porque ele está aqui'", contou Nair.

A dona de Pinpoo afirmou ainda que o cão não aparenta estar com qualquer problema de saúde. Após ser localizado ele bebeu bastante água, passou por dois banhos e já se alimenta normalmente.
O fotógrafo Ronaldo Bernardi/Agência RBS registrou o momento da entrega do animal à feliz dona 



A íntegra da matéria de Fernanda Pereira Neves, está disponível no link: http://www1.folha.uol.com.br/cotidiano/889966-cao-pinpoo-e-reencontrado-apos-desaparecer-em-aeroporto-do-rs.shtml

domingo, 6 de março de 2011

ONG de SP tenta devolver papagaio à mata virgem

Reportagem publicada pela Folha, dá conta que a ONG SOS Fauna está planejando devolver à mata nativa, os papagaios que estão abrigados em Juquitiba (72 km a sudoeste de SP) não conhecem sua mata natal.
São 68 animais da espécie papagaios-verdadeiros que foram retirados com poucos dias de vida dos ninhos em que nasceram, em setembro de 2006, em Mato Grosso do Sul. Fruto da ação de traficantes de animais.
Faltam recursos financeiros para devolvê-los à mata
A volta desses bichos para o local em que nasceram, consequência de uma operação inédita em todo o país, conduzida por uma ONG (Organização Não-Governamental), deve ocorrer em meados deste ano. O que falta são recursos financeiros para o transporte.
A informação é de reportagem de Eduardo Geraque publicada na Folha deste domingo (íntegra disponível para assinantes do jornal e do UOL).
A um custo de R$ 1 por dia com cada papagaio --a conta, portanto, passa dos R$ 100 mil-- uma verdadeira operação de guerra precisou ser montada para que esses bichos pudessem, quem sabe, voltar para casa.
De acordo com Marcelo Rocha, presidente da SOS Fauna, várias instituições e pessoas físicas já ajudaram durante esse tempo. Ele diz ter recebido exclusivamente dinheiro privado. "As esferas de Estado nunca nos ajudaram."
Quando ocorrer, a volta dos papagaios para a mata é voluntária. Um grande viveiro é montado na mata, para uma ambientação. Depois ele é aberto e quem se sentir seguro para voar, voa.


São Paulo 06/03/2011 - 14h48


http://www1.folha.uol.com.br/cotidiano/885238-ong-de-sp-tenta-devolver-papagaio-a-mata-natal-no-ms.shtml