terça-feira, 10 de maio de 2011

sem palavras

Essa foto de autoria de Domingos Peixoto publicada em O Globo em janeiro de 2000, é sem dúvida, uma das mais marcantes do fotojornalismo brasileiro. A Baía de Guanabara sofreu um dos seus piores desastres naturais, com o rompimento de um duto da Petrobras, que conduzia óleo bruto para a refinaria em Duque de Caxias (RJ). Na foto aparece um biguá coberto de óleo, agonizando as margens de uma praia. Domingos Peixoto venceu os prêmios Líbero Badaró e Firjan.


Fonte: http://imagesvisions.blogspot.com/2011/04/fotografia-de-um-desastre-ambiental.html

terça-feira, 19 de abril de 2011

O pensamento mágico

Antonio Delfim Netto 19/04/2011

Tenho recebido algumas observações de economistas que respeito. Advertem-me que na minha vida profissional ativa sempre utilizei a matemática e que agora, na inatividade acadêmica, passei a "demonizá-la". Nada mais longe da verdade. Tenho procurado chamar a atenção para o uso abusivo dessa joia do pensamento humano. Como é belo, esteticamente, um teorema bem demonstrado! O que condeno, e me incomoda, é a economia bastarda que se esconde na matemática para passar a ideia de que é "científica". O que abomino é assistir à falta de cerimônia com que alguns economistas extraem conclusões de seus elegantes e irrelevantes modelos e as transformam em "recomendações" normativas (supostamente científicas!) para o exercício da política econômica no mundo real.

Um exemplo evidente dessa tendência é a discussão de políticas econômicas realizadas a partir da "contabilidade" do crescimento. Como é evidente, o "produto potencial" é uma variável não observável. Conhecemos inúmeros métodos diferentes de estimá-lo que produzem resultados distintos, o que não é desprezível para o custo social das políticas econômicas. Todos, não importa o grau de sofisticação (se com estatística baynesiana, filtros de toda natureza...), são apenas projeções do passado, isto é, das circunstâncias que o constituíram, dos estímulos a que foram submetidos os agentes econômicos e das contingências políticas que dominam a economia.

O método mais pedestre e mais utilizado é o da "contabilidade" do crescimento. Neste, como é óbvio, o produto "potencial" é o limite superior de uma suposta função de produção, que tem como argumentos os fatores de produção: o trabalho (horas trabalhadas, nível de educação e de saúde do trabalhador) que pode ser estimado razoavelmente e o capital (a disponibilidade de recursos naturais, de todo o estoque do trabalho passado congelado na infraestrutura, nos equipamentos de toda sorte). Este, a rigor, é imensurável, a não ser pela somação de seus valores. Para transformar esse valor num dado físico (porque é isso que a função de produção exige) há problemas tão complexos que os economistas, sabiamente, decidiram ignorar em lugar de resolver...

As funções de produção fazem mais sentido quando referidas a uma unidade concreta de produção, onde as formas de medida são mais tratáveis. Entretanto, a agregação dessas funções para construir a função que representaria o produto potencial exige condições tão restritivas (do ponto de vista matemático) que as tornam virtualmente inexistentes, como todos sabemos desde os anos 70 do século passado. Mas por que as funções agregadas parecem fazer sentido quando estimadas estatisticamente? Pela simples e boa razão, também conhecida por todos (e sempre convenientemente ignorada), que elas são apenas manipulação da identidade: o Produto Interno Bruto (PIB), que é o valor adicionado de toda produção é, necessariamente, igual à soma dos salários mais os lucros.

Essa identidade, manipulada algebricamente, é submetida a uma operação de derivação, às quais se adicionam duas hipóteses: que a participação dos fatores é relativamente constante, e que os salários e os lucros crescem a taxas constantes. Posteriormente submetida a uma operação de integração, produz a mais famosa de todas as funções de produção agregada, chamada Cobb-Douglas. O leitor não precisa se preocupar com essa prestidigitação. Trata-se de diversão matemática do pensamento mágico exercitado por "cientistas". Basta saber que toda função agregada de produção (da qual se extrai o conceito de produto potencial) é uma transfiguração daquela identidade. Como toda identidade, ela apenas é. Não tem qualquer poder explicativo!

Ainda agora, prestigiados economistas, preocupados com o "crescimento asiático" da economia brasileira (6,1% em 2007, 5,2% em 2008, e 7,5% em 2010) utilizaram a contabilidade do crescimento produzida por uma função Cobb-Douglas convenientemente "calibrada" pelas hipóteses: 1) que a participação dos rendimentos do trabalho no PIB é de 60% e do capital de 40%; 2) que a produtividade total dos fatores é da ordem de 1,5%; 3) que a oferta de trabalho (não as horas trabalhadas) é de 1,8%; e 4) que a taxa de investimento de 19% e uma taxa de depreciação de 25 anos produz uma taxa de expansão do capital de 4% ao ano, para chegar à "científica" conclusão que o "produto potencial do Brasil hoje é de 4,3% ao ano". Se não tivessem esquecido no "crescimento asiático" o ano de 2009, em que o produto decresceu 0,6% verificariam que nos últimos quatro anos o Brasil cresceu em média 4,6%. Esqueceram, também, a possibilidade de usar-se incentivos para estimular o uso mais intensivo dos estoques de capital humano e físico, o que influi, também, na produtividade geral dos fatores. Mas tudo isso é irrelevante. Uma identidade transfigurada ainda é apenas uma identidade, não explica nada.

Continuamos a computar nas "nuvens" e a mostrar do que é capaz o pensamento mágico!

Antonio Delfim Netto é professor emérito da FEA-USP, ex-ministro da Fazenda, Agricultura e Planejamento. Escreve às terças-feiras

E-mail: contatodelfimnetto@terra.com.br


http://www.valoronline.com.br/impresso/brasil/97/415003/o-pensamento-magico

Programa de cisternas atrasa, mas alivia seca

Murillo Camarotto | De Juazeirinho e Soledade (PB) 19/04/2011

                                                   Leo Caldas/Valor

José Severino Antonio, em frente à máquina que escava o solo para construir a segunda cisterna, que servirá para a agricultura, em sua casa, em Juazeirinho, a 215 quilômetros de João Pessoa: "Tomar uma aguinha limpa é bom demais"





Sob o sol impiedoso do Cariri paraibano, algumas poças d'água resistem na estrada de terra batida, herança da chuva que caiu na noite anterior. Historicamente castigada pela seca, a região vive os últimos dias do cenário verde propiciado pela bonança das águas. Do início de maio até dezembro, período da estiagem, a população local terá de colocar em prática a conhecida arte da austeridade hídrica, tarefa que ficou um pouco mais simples nos últimos anos para a minoria que possui cisternas em suas casas. Para os demais, a repetição do drama secular se avizinha.

Não é o caso do vaqueiro José Severino Antonio, nascido e criado em Juazeirinho, a 215 quilômetros de João Pessoa. Aos 63 anos, o velho sertanejo tinha nos olhos o brilho de um garoto enquanto observava a escavação de sua segunda cisterna, que servirá para a agricultura. A primeira, dedicada exclusivamente à "água de beber", chegou em janeiro, pondo fim a décadas de martírio. "Tomar uma aguinha limpa é bom demais", celebrou ele, enquanto a mulher lhe servia um copo generoso.

Antes da cisterna, Severino tinha que tomar água do barreiro, como é chamado o reservatório feito a partir da simples escavação de um buraco na terra. Não bastasse a péssima qualidade da água, os barreiros costumam secar nos períodos de estiagem mais acentuada. Quando isso acontecia, ele andava 12 quilômetros até um açude, onde tinha de pedir permissão para pegar a água, que ficava em um terreno particular. Apesar dos avanços observados nos últimos anos, ainda é essa a realidade de uma grande parcela do Semiárido brasileiro.

O Programa 1 Milhão de Cisternas (P1MC) foi criado em 2003 com a meta de cumprir em cinco anos a tarefa que lhe dá o nome. No entanto, entrou em 2011 com pouco mais de 350 mil equipamentos instalados e sem perspectivas de conclusão. Gestora do projeto, a Articulação no Semiárido Brasileiro (ASA) aponta a morosidade dos repasses federais como o principal entrave. Já o Ministério do Desenvolvimento Social, maior -financiador do projeto, se isenta da responsabilidade.


Leo Caldas/Valor



 José Aurélio dos Santos não tem cisterna e é obrigado a fazer 20 viagens diárias para pegar água no 
barreiro em Juazeirinho

Além da simples construção das cisternas, o programa está inserido em outro mais amplo, voltado à "formação e mobilização para convivência com o semi-árido", que tem entre suas premissas mais importantes o acompanhamento e a orientação das famílias que já contam com a cisterna, o que nem sempre acontece.

Visitada pelo Valor em 2007, a dona de casa Miriam Cavalcante Ferreira, de 53 anos, aguardava na época a instalação de uma cisterna na casa do filho, o que ocorreu no ano seguinte. Apesar de se dizer satisfeita com o programa, ela garantiu desconhecer qualquer programa de acompanhamento das famílias, o que pôde ser percebido pelo estado de degradação de seu sítio, que chocou até mesmo os colaboradores da ASA, habituados às mazelas locais.

Além da falta de cuidado com a água da cisterna, exposta à presença de animais, o quintal apresentava mais de cem fraldas descartáveis usadas por todos os lados, atrativo para um batalhão de moscas. "Há falhas no acompanhamento posterior, como o cuidado com a água, por exemplo. Você não consegue mudar a mentalidade das pessoas só com uma palestra", admitiu José Walterlandio Cardoso, coordenador do Patac, uma das oito organizações que trabalham com a ASA na Paraíba.

A situação, felizmente, contrasta com a de outros beneficiados pelo programa, caso de Maria de Lourdes Eusébio Luiz, de 61 anos, que voltou a viver no Cariri depois de quatro décadas trabalhando como empregada doméstica, no Rio de Janeiro. Assim como muitos nordestinos otimistas com o crescimento econômico da região, ela fez o caminho de volta em 2006, influenciada pela cisterna que o pai havia recebido anos antes. "Aqui era péssimo de viver. Eu tinha que ir pra cacimba de madrugada procurar água", recorda.

Há um ano e meio, Maria de Lourdes foi contemplada com uma cisterna "calçadão", modelo voltado à produção agrícola e que faz parte de outro programa da ASA, chamado de "segunda água" ou "P1+2". O nome "calçadão" remete ao sistema de coleta da cisterna, que recebe a água da chuva que cai sobre uma placa de concreto de 200 metros quadrados e escorre até o reservatório, que tem capacidade para 52 mil litros. A cisterna tradicional, que acumula água vinda das calhas das residências, comporta 16 mil litros.

Com a abundância, Maria de Lourdes é atualmente a agricultora mais festejada da comunidade Sussuarana, em Juazeirinho. Nos fundos da casa onde mora sozinha, ela cultiva mais de 30 variedades de frutas e hortaliças, inclusive de tipos estranhos à região, como alho-poró e aipo. A produção é vendida e também doada para a vizinhança, uma comunidade que demonstra um invejável modelo de cooperação mútua.

Em oito anos, o programa de cisternas recebeu pouco mais de R$ 593 milhões, dos quais R$ 503,5 milhões com origem nos cofres públicos. O restante veio de parcerias com a iniciativa privada, sobretudo com a Federação Brasileira de Bancos (Febraban), e com entidades internacionais de fomento. Os repasses federais são feitos anualmente, mediante o cumprimento das metas de construção de cisternas e a consequente renovação da parceria entre o ministério e a ASA.

A entidade, porém, reclama da demora nas renovações. "Parar um programa desse tamanho implica parar uma ação gigantesca e um conjunto de atores e pessoas. Quando o maior apoiador para, se arrefece todo o processo", avalia o coordenador do programa de um milhão de cisternas, Jean Carlos de Andrade. "Nossa capacidade de execução é maior do que a disponibilização dos recursos", diz.

O projeto atua hoje em 1.076 dos 1.133 municípios do Semiárido, beneficiando pouco mais de 1,6 milhão de pessoas. Outras 3,4 milhões, contudo, ainda estão na fila. Apesar do grande atraso em sua universalização, o P1MC tem apresentado bons resultados nas regiões aonde chegou. Pesquisas realizadas desde 2007 mostram melhorias na redução de doenças, no aumento da frequência escolar e na renda das famílias.

O Ministério do Desenvolvimento Social, por sua vez, se isenta da culpa pelo atraso na construção das cisternas. "Na nossa visão, a burocracia para os repasses não prejudicou o andamento do programa. O governo tem toda a burocracia, mas isso faz parte da execução orçamentária", defende-se a secretária de Segurança Alimentar e Nutricional do ministério, Maya Takagi. "Além disso, a meta de 1 milhão de cisternas não é nossa. Nunca dissemos que íamos fazer", afirma.

Alheio aos argumentos, José Aurélio dos Santos, que aparenta mais do que seus 40 anos, faz cerca de 20 viagens diárias ao barreiro próximo de sua casa, em Juazeirinho. Ele ainda não foi contemplado com a cisterna e sequer sabe da existência do P1MC. Para evitar os queixumes da mulher grávida por causa do gosto ruim da água do barreiro, improvisou uma calha para capturar algo mais cristalino no período chuvoso. Sem emprego fixo, alimenta seis pessoas com R$ 167 mensais que recebe do Bolsa Família. Como em quase todo o Semiárido, o maior sonho é tirar da terra o próprio sustento.

http://www.valoronline.com.br/impresso/especial/101/415027/programa-de-cisternas-atrasa-mas-alivia-seca

quinta-feira, 7 de abril de 2011

O caminho para a crise fiscal



Ao analisar o efeito do socorro dos governos ao sistema financeiro, Simon Johnson, em artigo publicado no Valoronline, em 07/04/2011, diz que O "ciclo apocalíptico" acaba desaguando na Islândia, Irlanda e Grécia.

Tornou-se moda entre pessoas bem informadas em Washington - tanto democratas como republicanos - jogar a toalha, dizendo: no fim das contas, teremos uma grande crise orçamentária, nos EUA, especialmente porque o aumento dos custos com a saúde amplia a carga fiscal de direitos sociais como o Medicare e o Medicaid. Mas, então, as mesmas pessoas geralmente sorriem e enfatizam que os investidores de outras partes do mundo ainda querem emprestar aos EUA enormes montantes de dinheiro, manter baixas as taxas de juro de longo prazo e permitir que o país incorra em grandes déficits num futuro previsível.

Essa visão é equivocada. Ela implica que os EUA continuem empurrando os problemas com a barriga, enquanto o dólar continuar sendo a mais importante moeda de reserva mundial e que os EUA continuem o melhor refúgio para os ariscos donos de capital.

Até 2015, de acordo com essa lógica, os políticos nada terão feito para aumentar os impostos e muito pouco para reduzir as despesas, de modo que os EUA continuarão com um déficit orçamentário em torno de US$ 1 trilhão e financiarão uma parte substancial do mesmo mediante a venda de títulos do governo para estrangeiros. Em 2050 haverá certamente um problema fiscal - mas, novamente, há tempo de sobra para ignorá-lo.

Essa lógica, apoiada na clara intenção do Federal Reserve (Fed, banco central dos EUA) de manter baixas todas as taxas, sugere que o juro referencial nos EUA - por exemplo, sobre os títulos do Tesouro de 10 anos - permanecerá abaixo de 4% (e talvez inferior a 3,5%) no curto prazo. No fim de março, a dívida pública pagava cerca de 3,2%, muito baixo, pelos padrões históricos.

Se o "Consenso Fiscal de Washington" revelar-se correto, quando as taxas de referência, finalmente subirem um pouco, avançarão lentamente.

    Os bancos americanos grandes demais para falir estão indo bem na tarefa de se tornar grande demais para ser salvo. Esse ponto será atingido quando proteger seus credores e estabilizar a economia fará o governo americano mergulhar em endividamento e irromper uma crise fiscal.

Entre as três pessoas que articularam mais claramente esse problema estão dois dos mais importantes presidentes de bancos centrais. Antes de Ben Bernanke tornar-se presidente do Fed, ele foi merecidamente reconhecido por seu trabalho acadêmico sobre a Grande Depressão, que mostrou como, em condições apropriadas (ou inadequadas), o setor financeiro poderia atuar como uma espécie de acelerador de avanços na economia (não financeira) real. Os esforços do Fed nos últimos três anos para estabilizar os bancos e outras partes do mundo financeiro foram, sem dúvida, motivados em grande parte por esse entendimento.

Anat Admati, professora da Stanford Graduate School of Business, é especialista em capital bancário - especificamente, nos incentivos que os bancos têm para financiar suas atividades com alavancagem muito grande - pouco capital e muita dívida. Em minha opinião, ela tem a página mais importante, atualmente, na web (www.gsb.stanford.edu/news/research/admati.etal.mediamentions.html), que contém tanto pesquisas originais dela, de Peter DeMarzo, Martin Hellwig e Paulo Pfleiderer, e suas muitas intervenções no debate sobre política monetária.

O entendimento de Admati e seus colaboradores é simples e muito poderoso. Maior alavancagem permite aos banqueiros ganhar mais dinheiro, mas pode facilmente tornar-se excessiva para os acionistas - porque torna os bancos mais vulneráveis a colapsos - e isso é terrível para os contribuintes e para todos os cidadãos, uma vez que arcam com enormes custos quando as coisas desandam. Nos EUA, os custos incluem mais de 8 milhões de empregos perdidos desde 2007, um aumento de cerca de 40% da dívida pública em relação ao PIB (principalmente devido à perda de receitas fiscais) e muito mais.

Mervyn King, ex-acadêmico atualmente presidente do Banco da Inglaterra e seus colegas têm um nome vívido para o coquetel tóxico resultante: "ciclo apocalíptico". A ideia é que cada vez que o sistema financeiro está em dificuldades, recebe apoio dos bancos centrais e dos orçamentos governamentais. Isso limita os prejuízos dos acionistas e protege quase todos os credores.

Em consequência, os bancos têm incentivos ainda maiores para continuar tomando empréstimos, como argumenta Admati), e, à medida que os preços dos ativos sobem, torna-se possível para eles tomar ainda mais empréstimos (como Bernanke sabe). Mas o que isso realmente significa é assumir mais risco, tipicamente de forma não regulamentada, não supervisionada - e com muito pouca governança eficaz nos próprios bancos (de novo, Admati explica por que os executivos bancários gostam disso).

Os bancos americanos grandes demais para falir estão indo bem na tarefa de se tornar grande demais para serem salvos. Esse ponto será atingido quando salvar os grandes bancos, proteger seus credores e estabilizar a economia fará o governo americano mergulhar tão profundamente em endividamento que sua solvência será colocada em questão, os juros subirem drasticamente e irromper uma crise fiscal.

Em outras palavras, o "ciclo apocalíptico"" não é, absolutamente, um ciclo. Na verdade, ele acaba desaguando, como já aconteceu - e esse é apenas o começo da história - na Islândia, Irlanda e Grécia.

Simon Johnson, ex-economista chefe do FMI, é cofundador de importante blog sobre economia (www.BaselineScenario.com) , professor da MIT Sloan e membro sênior do Instituto Peterson para Economia Internacional. Seu livro, "13 Bankers" (13 banqueiros), em coautoria com James Kwak, está disponível na forma de livro de bolso.

http://www.valoronline.com.br/impresso/opiniao/98/409481/o-caminho-para-a-crise-fiscal

quarta-feira, 6 de abril de 2011

Tu te tornas. . .

. . . eternamente responsável por aquilo que cativas. . .

segunda-feira, 28 de março de 2011

O plano de voo de Dilma

Claudia Safatle publicou há vários dias o texto abaixo analisando a entrevista que a presidente Dilma concedeu ao Jornal Valor Econômico. Dado o interesse e a acurácia do comentário, resolvi postá-lo.

um abraço e boa leitura.




O plano de voo de Dilma
Claudia Safatle - 19/mar/2011

Uma leitura atenta da entrevista que a presidente da República, Dilma Rousseff, deu ao Valor, ontem, feita por pessoas muito próximas a ela, identifica mensagens importantes não só sobre os objetivos da política econômica deste governo, mas também sobre quem ela considera como sua equipe nessa área.

Nas declarações da presidente, segundo essas fontes, estão alguns recados claros: a responsabilidade pela política econômica é dela; os dois principais gerentes dessa política e nos quais ela confia são o ministro da Fazenda, Guido Mantega, e o presidente do Banco Central, Alexandre Tombini; e, a partir dessas duas informações, uma terceira fica subentendida - a recomendação para que não se aposte numa disputa entre Mantega e o ministro-chefe da Casa Civil, Antonio Palocci. "Ou eles vivem juntos ou morrem juntos", afiançou uma das fontes.

Algumas áreas do governo consideram que a disseminação da descrença na gestão fiscal do ministro da Fazenda e as insinuações de que faltam ao presidente do BC experiência e pulso firme têm origem no sistema financeiro. Viria dos bancos, segundo essa interpretação, uma torcida para que Palocci viesse a ter mais peso na concepção do arcabouço econômico.

Mantega e Palocci "vivem juntos ou morrem juntos"
O sistema bancário ainda não se conformou com a inovação na política monetária introduzida por Tombini, que combina aumento dos juros com medidas prudenciais (de regulação do crédito e dos riscos). Até então, nos oito anos de governo Lula, os bancos viveram uma situação confortável. Seus economistas conheciam bem o raio de atuação do BC, que tinha um objetivo - controlar a taxa de inflação - e um instrumento - a taxa básica de juros (Selic). Ao reconhecer, no pós-crise global, a necessidade de medidas macroprudenciais como um substituto ao exagero no aumento dos juros, o Banco Central introduziu elemento de incerteza sobre o curso da política monetária. E incerteza gera desconforto.

Dilma, na entrevista, abordou um aspecto dessa inquietação: "Não sei se não estão tentando diminuir a importância desse Banco Central porque não tem gente do mercado na sua diretoria", disse.

O fato de o BC ter como diretores, atualmente, só funcionários de carreira incomoda o mercado que vê nessa conformação a raiz de uma eventual fragilidade política da autoridade monetária. Como funcionários da casa, de acordo com essa visão, os diretores do BC teriam um suposto compromisso com suas carreiras e com a hierarquia do poder público.

É difícil imaginar, porém, que Tombini, depois de presidir a instituição, volte a exercer alguma outra função no BC com a qual ele tenha que se preocupar agora. Restará a ele ir para o setor privado ou para a academia.

Dilma disse que não tem nada contra a presença de representantes do mercado na diretoria do BC, que conta hoje com duas vagas (de Estudos Especiais e de Normas) que podem perfeitamente ser preenchidas por nomes do setor financeiro.

A presidente também renovou seu aval à política fiscal em curso - que desacelera o crescimento dos gastos - como elemento chave do programa econômico do governo, que mira o combate à inflação sem derrubar o crescimento econômico. Ela quer levar a inflação para o centro da meta de 4,5%, mas rejeita a hipótese de fazer isso às custas de uma redução severa no ritmo de crescimento do PIB.

É difícil, no entanto, esperar um aumento de 4,5% a 5% do PIB este ano, como a presidente demarcou. Mas não é impossível crescer algo próximo a 4%, avaliam as fontes do governo, encerrando o ano com uma variação do IPCA em torno de 5%.

Os efeitos dos desastres no Japão sobre a economia mundial ainda são de difícil mensuração. A presidente abordou esse assunto com cautela e acredita que os preços internacionais do petróleo podem subir. Na área econômica do governo, há outros temores, inclusive dos impactos de uma desvalorização da taxa de câmbio sobre o elevado endividamento externo das empresas e bancos. Em "compasso de espera" para ver os desdobramentos da tragédia japonesa, o governo desacelerou a preparação de medidas cambiais.

Os mais ortodoxos vão encontrar inconsistências nas declarações da presidente. Seja quando ela discorda de que a inflação no país seja decorrente do excesso de demanda, ou quando atribui ênfase especial ao combate à inflação e, ao mesmo tempo, faz uma defesa contundente da indexação do salário mínimo.

Antiprivatistas torcerão o nariz para a decisão de fazer concessões dos aeroportos e os reformistas se decepcionarão com a falta de ambição do governo nessa área.

Dilma, acima de tudo e a despeito de questões ideológicas, delineou seu plano de voo para os próximos quatro anos. E fez isso de forma pragmática.

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O jornalista Sidnei Basile formou uma geração de jornalistas na qual me incluo. Nos ensinou que o jornalismo é um serviço de fé pública. Que devemos exercer a profissão com elegância, precisão e correção. Sua morte nos priva de um amigo, de um mestre e de um incansável defensor da liberdade.

Claudia Safatle é diretora-adjunta de redação e escreve às sextas-feiras

E-mail claudia.safatle@valor.com.br

http://www.valoronline.com.br/impresso/brasil/97/399191/o-plano-de-voo-de-dilma

quinta-feira, 24 de março de 2011

Canadá investe para atrair mais brasileiros

Reportagem de Alberto Komatsu publicada no Valor Econômico e disponível no link abaixo.

Toronto e a imponente Tower
A Comissão Canadense de Turismo (CTC) anuncia hoje ao mercado turístico brasileiro um investimento no país de US$ 1,5 milhão, em 2011, para estimular o número de turistas brasileiros no Canadá. Esses recursos integram um pacote global de investimentos da CTC que alcança US$ 73,4 milhões.
No ano passado, cerca de 80 mil brasileiros visitaram destinos canadenses, um crescimento de 30% em relação ao ano anterior. Para 2011, a meta é atrair pelo menos 92 mil brasileiros, conta a diretora regional da CTC para mercados emergentes, Siobhan Chretien.
De acordo com ela, o objetivo desse investimento é fazer com que o Canadá seja conhecido pelos brasileiros não apenas pelos destinos de inverno, com neve e esqui, mas também como alternativa de lazer no ano inteiro.
"Brasileiros e canadenses são muito parecidos. Gostam de muita alegria, são cosmopolitas e adoram bons restaurantes, compras e cidades com arquitetura moderna", afirma Siobhan.
Ela lembra que há muitas atrações turísticas no Canadá fora do inverno, como festivais de culinária e cinema. "Queremos que os brasileiros visitem o Canadá também no verão, no outono e na primavera. Nas quatro estações", diz Siobhan.
Além de campanhas promocionais, parte dos investimentos da CTC no mercado brasileiro também são destinados a treinamento on-line. A diretora da CTC no Brasil, Sheila Nassar, conta que funcionários de operadoras de turismo, por exemplo, podem receber informações sobre promoção turística no Canadá, como destinos de verão e cidades com atrações noturnas, de compras e gastronômicas via internet. Segundo ela, em torno de 80 operadoras turísticas brasileiras trabalham em parceria com a comissão canadense.
Dados colhidos pela CTC mostram que o gasto médio do brasileiro, no Canadá, foi de US$ 1,6 mil, em 2009. Siobhan diz que é um dos maiores gastos de turistas estrangeiros no seu país. Ainda em 2009, somente os brasileiros movimentaram na economia canadense US$ 97,6 milhões.Pesquisa realizada pela CTC indica que o Canadá é o quarto destino turístico mais pretendido pelos brasileiros. Fica atrás de Estados Unidos, França e Espanha. Além do mercado brasileiro, o foco da CTC em mercados emergentes inclui Coreia do Sul, México, Índia e China, entre outros.

http://www.valoronline.com.br/impresso/empresas/102/401897/canada-investe-para-atrair-mais-brasileiros

terça-feira, 22 de março de 2011

A visita de Barack Obama ao Brasil

A propósito da visita do presidente americano ao Brasil no último final de semana, foram publicados - entre tantos - dois artigos que merecem a atenção: o primeiro da Prof. Dra. Cristina Soreanu Pecequilo, Professora de Relações Internacionais da Universidade Federal de São Paulo (UNIFESP), disponível no Portal Carta Maior e o segundo, escrito pelo sempre brilhante Clóvis Rossi da Folha de São Paulo.
Embora um tanto longos, publico-os na íntegra, pois merecem! Boa leitura.
Roberto Stuckert Filho/Presidência

O ANTES, O DURANTE E O DEPOIS: Barack Obama e o Brasil

Cristina Soreanu Pecequilo

A breve passagem do Presidente Barack Obama no Brasil nos dias 19 e 20 de março de 2011, em Brasília e Rio de Janeiro, foi antecedida por imensa expectativa em alguns círculos, que avaliaram a viagem como um exemplo prático da mudança significativa que a política externa estaria sofrendo no início da administração de Dilma Rousseff em comparação a de seu antecessor Lula (2003/2010). Com base nesta avaliação equivocada, inúmeras imagens foram construídas a respeito do que Obama faria ou diria em solo nacional.

Iniciando com a abolição dos vistos, passando pela conclusão de um acordo comercial bilateral ao estabelecimento de uma ampla parceria energética no campo do petróleo e biocombustíveis até a declaração formal de apoio ao pleito brasileiro de tornar-se membro permanente do Conselho de Segurança das Nações Unidas (CSONU), a agenda destes grupos era extremamente abrangente. Tendenciosas, estas avaliações revelavam uma preocupação extensiva em desqualificar os esforços diplomáticos anteriores. A utilização repetida do termo “normalização”, associado na década de 1990 a uma perspectiva periférica e acrítica, passava a idéia de uma relação sustentada somente em conflitos e que estaria sendo substituída pela reintegração ao núcleo de poder norte-americano. Mais ainda, revelava o permanente desconhecimento sobre as motivações estratégicas dos EUA.

Se em 2011 o Brasil recebeu Barack Obama como uma potência global, isto se deve aos esforços internos e externos do país que o qualificaram a este status de forma autônoma. Esta situação não emerge de um relacionamento de mão única com aquele que tradicionalmente foi o maior parceiro político-econômico brasileiro no século passado, mas da busca de alternativas que permitiram solidificar uma ação internacional consistente e coerente com as necessidades do país. Com isso, as motivações estratégicas norte-americanas não derivam destes cálculos simplistas que permearam o debate sobre a política externa brasileira, mas da percepção de que o Brasil e a América do Sul são mais dois espaços nos quais os EUA perderam posições.

Assim, era preciso para os norte-americanos sinalizar que desejam preservar o Brasil em sua esfera de influência diante deste vácuo, como já o haviam feito diante da China, da Índia e da Rússia em ofensivas diplomáticas similares em contatos bilaterais prévios. E, no caso, no Brasil e na região, os EUA não perderam somente posições para a China, hoje o maior parceiro comercial brasileiro e aliado no grupo BRIC (Brasil, Rússia, Índia e China), ou para a Índia, também no BRIC e no IBAS (Fórum de Diálogo Índia, Brasil, África do Sul), ou para a África do Sul, ou para a Rússia, ou para a cooperação Sul-Sul em geral, mas para o próprio Brasil nas Américas e no mundo.

Positivamente, em meio a estes ruídos prévios e construções ideológicas de determinados grupos que ignoravam estas questões, os sinais de Brasília mantiveram a percepção de que a visita de Barack Obama representava o reconhecimento deste processo de consolidação político-econômica-estratégica. Tais sinais já se encontravam presentes nos encontros preparatórios entre os dois países antes da chegada de Obama, e demonstravam clareza quanto o que significava esta viagem: uma oportunidade de aprofundar e promover maior adensamento estratégico das relações bilaterais, a partir do reconhecimento norte-americano do status global de poder do Brasil.

Tendo esta realidade como ponto de partida, de que se tratava de uma viagem de reconhecimento e não de concessões norte-americanas ou subserviência brasileira, deixou-se claro que esta dinâmica bilateral não afeta as prioridades externas do Estado brasileiro em termos de agenda Sul-Sul ou Norte-Sul, demandas e projeção. Parte da iniciativa de ser lider é criar fatos novos, dimensões positivas de interdependência, ação que os emergentes e o Brasil tem feito cada vez de forma mais constante. Neste campo, assumem responsabilidades por seus próprios destinos, e de nações similares ou de menor poder relativo, em suas escalas regionais e em nível global estatal e multilateral.

À medida que na última década o Brasil não manteve sua política ou agenda econômica, atrelada aos EUA, sua importância diante deste país aumentou, da mesma forma que sua vulnerabilidade diminuiu diante das constantes oscilações da política da potência hegemônica. Em seu discurso no Teatro Municipal do Rio de Janeiro em 19 de Março, Barack Obama mencionou iniciativas brasileiras como a UNASUL (União Sul-Americana de Nações) e projetos sociais direcionados às nações do sul no combate à fome e programas de saúde. Ou seja, o Brasil não era mais só o país do futuro, mas que o futuro teria chegado ao Brasil, como afirmou o Presidente dos EUA.

Fortemente, o país demonstrou não ter ilusões de que este reconhecimento traduzir-se-ia, de imediato, em uma mudança concreta da posição norte-americana em determinados temas. Nestes temas, principalmente no comércio bilateral, arena na qual o Brasil demanda maior igualdade e reciprocidade, e na reforma das organizações internacionais governamentais, principalmente no caso das Nações Unidas e seu CS, a posição brasileira foi de sustentar suas reivindicações. Por sua vez, pode-se até considerar que os EUA responderam positivamente em sua retórica, em suas demonstrações de “apreço” pelo pleito brasileiro, pela fala de Obama a empresários que igualou o país à China e Índia. A retórica, porém, não foi acompanhada pela substância da mudança ou pela sinalização de que os norte-americanos estariam dispostos a fazer concessões para engajar de forma diferente o Brasil nestas dimensões.

Acenar com parcerias para o pré-sal, ações conjuntas no campo energético é sinal do novo papel do Brasil, mas também da natureza pragmática do interesse norte-americano em petróleo, mercados em novos espaços que não surjam como tão conturbados como o Oriente Médio, apostando nas nações “amigas”. E, igualmente sendo pragmáticos, são parcerias que trazem inúmeros riscos ao Brasil, caso o país não busque preservar sua soberania nestas negociações, independente do campo. Neste sentido, o papel, por exemplo, da Comissão Brasil-Estados Unidos para Relações Econômicas Comerciais é o de encontrar pontos de consenso possível e equilibrio no setor, preservando a capacidade negociadora brasileira e sua autonomia. O mesmo raciocínio se estende às arenas da biodiversidade, dos diálogos estratégicos, da cooperação técnica e para a organização e segurança da Copa-2014 e das Olimpíadas-2016. O Brasil não pode se furtar a negociar com os EUA, mas precisa atrelar estas conversações a lograr objetivos que permitam a continuidade de seu crescimento e resolução de assimetrias internas via programas sociais.

Chegando ao mundo “real” não deixa de ser simbólico que enquanto Barack Obama acenava às “nações amigas” da América Latina, como o fez no Brasil, e o fará no Chile, com declarações “históricas” sobre as relações entre “iguais” e a consolidação da democracia, os bombardeios aéreos à Líbia atingissem elevada intensidade, depois da autorização do CSONU à operação na sexta-feira 18/03/2011. Em solo brasileiro, a intervenção foi abordada sob o signo da defesa da democracia e motivos humanitários, enquanto prolongam-se protestos e repressões similares em países aliados norte-americanos na região.

Também não deixa de ser simbólico, que nesta votação do CS, os países que se abstiveram e demonstraram preocupação com a ação, fossem os emergentes membros permanentes deste Conselho e nações pleiteantes, membros temporários eleitos: China e Rússia, somados à Brasil, Índia e Alemanha. São nestas manifestações que se desenha o novo mapa geoestratégico global e as complexas dinâmicas de poder do século XXI que motivam as viagens de Obama e suas declarações de igualdade com seus parceiros.

Porém, como se diz no Brasil, os EUA são um “pouco mais iguais” do que os outros: seu poder militar de superpotência e comando residual das organizações internacionais contrasta com uma economia estruturalmente deficiente e uma sociedade doméstica polarizada. Durante e depois de Obama, o Brasil continua sendo o mesmo de antes, consolidando sua ascensão do nível regional ao global, que busca a continuidade de seu projeto político-social-econômico e estratégico. Com os EUA, e com o mundo, dialogar não é sinônimo de concordar, mas de saber ouvir, negociar e falar em nome do interesse nacional.

(*) Professora de Relações Internacionais da Universidade Federal de São Paulo (UNIFESP)

http://www.cartamaior.com.br/templates/materiaMostrar.cfm?materia_id=17573

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A VOLTA DO VIRA-LATA

Clovis Rossi, de São Paulo, 21/03/2011 - 15h58

O complexo de vira-lata que assola a alma brasileira (segundo Nélson Rodrigues) não poderia faltar na visita do presidente Barack Obama aos trópicos.



Boa parte do noticiário girou em torno de como o "dono do cachorro" o afagaria em sua pretensão de ser integrante permanente do Conselho de Segurança das Nações Unidas. Se seria enfático, se seria suave, se se omitiria, se faria com o Brasil o que fez com a Índia (endosso formal).

É evidente que a posição dos Estados Unidos a respeito do que quer que ocorra no planeta é relevante, por se tratar da única superpotência remanescente, depois do fim da União Soviética (que, aliás, revelou-se superpotência de pés de barro).

Mas daí até ficar pendente de uma palavra do presidente norte-americano como se fosse a tábua da lei vai uma distância considerável que não é preciso percorrer.

O Brasil vai (ou não) ser membro do CS da ONU, o coração do sistema Nações Unidas, pelo que é, principalmente, e também pelo que faz (ou deixa de fazer). Não pelo que diga ou deixe de dizer Obama ou qualquer outro líder.

Nesse sentido, o Brasil é candidato mais que natural a um lugar no CS. É a segunda maior democracia do hemisfério ocidental, depois dos próprios Estados Unidos, é a sétima economia do planeta, é uma zona de paz, que não tem conflito com os vizinhos nem enfrenta problemas étnicos, religiosos etc.

Logo, acabará ganhando sua vaga no Conselho, a menos que seus governantes façam muita besteira. Desde a redemocratização, foram de fato feitas incontáveis asneiras por diferentes presidentes, mas nenhuma delas suficiente para invalidar a condição natural do Brasil como candidato à vaga.

Os dois presidentes mais recentes, Fernando Henrique Cardoso e Luiz Inácio Lula da Silva, puseram o país na agenda do planeta, mais Lula do que FHC, o que não deixa de ser contraditório com a condição de intelectual globalizado deste em contraste com um operário que parecia muito mais voltado para o interior.

É evidente que há críticas --internas e externas-- à algumas ações ou omissões de um e de outro. Eu mesmo, nos espaços que a Folha-papel comete o erro de me emprestar, fiz e ainda faço todas as críticas que achei corretas --e não me arrependo de nenhuma delas. Mas uma coisa é discordar de alguma ação ou omissão, outra, completamente diferente, é entender que ela inabilita o país para voos ainda mais altos.

Ante as condições naturais do Brasil --e olhe que sou o inimigo número 1 do patrioteirismo--, qualquer palavra de Obama beira, no médio e longo prazo, à irrelevância.

Até entendo que a visita acabou produzindo menos emoções que a princípio se supunha, o que leva o jornalismo a se agarrar em detalhes nem sempre relevantes. Mas o público não deve se enganar. Primeiro, a reforma da ONU anda em passo de tartaruga e é razoável supor que a decisão, se chegar finalmente a ser tomada, ficará para a época do sucessor do sucessor de Barack Obama.

Segundo, nesse momento, salvo, repito, a hipótese de uma grande bobagem, o Brasil terá a sua vaga garantida.

http://www1.folha.uol.com.br/colunas/clovisrossi/891820-a-volta-do-vira-lata.shtml

Cautela e cuidado com a inflação

Antonio Delfim Netto 22/03/2011

O problema da inflação no Brasil está sendo tratado pelas novas políticas fiscal, monetária e cambial com o cuidado que merece. Na política fiscal não foi feito nenhum "choque dramático" (porque não era preciso), como exigem alguns fundamentalistas. É certo, entretanto, que as despesas correntes e as transferências da União crescerão menos em termos reais do que o crescimento provável do PIB.

A crítica fundamental a essa política é, curiosamente, "ad hominem": o ministro Mantega foi um gastador (diante de uma deficiência de demanda global); como pode ser um parcimonioso (diante de um excesso de demanda)? Como diria um velho conhecido, "quando a situação muda, eu mudo. E você?"

Na política monetária, a mudança de atitude do presidente Tombini, recuperando velhíssimos instrumentos (agora elegantemente chamados de "macroprudenciais"), tem sido objeto de desconfiança de muitos analistas do mercado financeiro. Apoiam-se numa pretensiosa "teoria monetária", cujos melhores autores em 2008 ainda não mencionavam, em seus "científicos" trabalhos e livros, sequer a palavra "crédito"! Prisioneiros de uma miopia produzida por um modelito de três equações perderam toda a imaginação.

Provavelmente, a manobra exclusiva com a taxa de juros cause menores "distorções" (medidas com relação a um modelo de validade duvidosa), mas também, provavelmente, compensadas no mundo real por um custo maior em termos de sacrifício de PIB. De qualquer forma, ainda que a econometria seja imaginosa, mas precária, existem claros indícios (até recentemente negados) que medidas macroprudenciais podem ser moderadas substitutas do falaciosamente simples aumento da taxa de juros. Aqui também, a crítica é "ad hominem": Tombini é um bom e respeitável técnico... mas é um "pombo"! A hora e o lugar exigiriam um "falcão" (um dos "idiots savants"), que acredita que há leis naturais que regem os mercados, particularmente o cambial.

O mais fantástico é a desconexão entre essas críticas e o que está acontecendo no mundo, particularmente com a revisão do conhecimento econômico. Ele se processa hoje sob o estímulo de quem já foi o maior defensor da equivocada ideologia que produziu o "pensamento único" apoiado numa suposta ciência monetária: o Fundo Monetário Internacional! Foi esse mesmo "pensamento único" que interditou a saudável crítica produzida por diferentes "visões do mundo econômico", que estimulou o controle da economia real pelo sistema financeiro e produziu a crise de 2007/09. No fim, consumiu-se na desmoralização...

Trata-se de uma tragédia. A descrença colocou dúvida sobre todo o conhecimento econômico - talvez seja melhor chamar de "economia política" - que foi e é de extrema importância para a boa governança do setor público e do setor privado. Essa visão niilista é a contrapartida do fundamentalismo: como a teoria econômica "fracassou", tudo é permitido nas políticas fiscal, monetária e cambial. Já sabemos como isso termina. O Brasil já foi vítima de múltiplas experiências desse tipo que tiveram alto custo econômico e social.

Temos hoje uma aceleração da taxa de inflação (e uma deterioração de suas expectativas), que deve merecer toda a atenção do governo. É óbvio que estamos diante de um fenômeno bastante complexo e que não pode ser resolvido satisfatoriamente com a receita suicida de cortar as despesas públicas (a demanda do governo) e aumentar a taxa de juros real para cortar a demanda privada, de forma a reduzir o crescimento do PIB a 3%, a taxa de inflação a 4,5% no fim de 2011 e deixar que a taxa de câmbio atinja o seu valor "natural" determinado pelo mercado.

A taxa de inflação é uma espécie de "radiador" que dissipa o calor das energias perdidas na ineficiência dos setores público e privado. Ela tem duas componentes: uma interna e outra externa. A interna parece ser menos resultado do excesso da demanda global do que da profunda mudança na sua qualidade (serviços não transacionáveis), resultado da própria política redistributiva do governo e do aumento real do salário mínimo.

A rigor, quando corretamente medido, o PIB cresceu em média (4 º trimestre 2010/4º trimestre 2006) 4,3% ao ano e, se não levarmos em conta a depreciação, tivemos formação bruta anual de capital de 8,9%. As fortes taxas de crescimento acumulado em 2010, contra os mesmos trimestres de 2009, são meros artefatos estatísticos, que medem uma recuperação abaixo da capacidade de produção, como se vê no gráfico. O crescimento médio em 2010 foi de 5%, e a formação bruta de capital, sem levar em conta a depreciação, 12%.

A componente externa é muito forte. Trata-se da elevação dos preços internacionais de nossas exportações primárias, que não podem mais ser corrigidos pela "evolução natural" da taxa de câmbio, sem pôr em risco a grande sofisticação do nosso setor industrial, quando comparado com o dos países como nosso mesmo nível de renda per capita.

São esses fatos que justificam a cautela do BC e os cuidados do Ministério da Fazenda.

Antonio Delfim Netto é professor emérito da FEA-USP, ex-ministro da Fazenda, Agricultura e Planejamento. Escreve às terças-feiras

E-mail contatodelfimnetto@terra.com.br

http://www.valoronline.com.br/impresso/brasil/97/400475/cautela-e-cuidado-com-a-inflacao

domingo, 20 de março de 2011

Urso polar Knut morre na Alemanha

O urso polar Knut morreu neste sábado no zoológico de Berlim, na Alemanha. As causas da morte ainda são desconhecidas.



Segundo seu criador Heiner Kloes, Knut foi encontrado boiando no tanque do cativeiro onde vivia.

"Foi um dia completamente normal. Ele estava com as fêmeas um pouco antes, que tinham acabado de ser trancadas", disse Kloes. "Knut passeava por seu cativeiro, entrou na água, teve um curto espasmo e morreu."
Knut ganhou um selo que leva a frase "Proteja a natureza em todo o mundo". Foto de Gero Breloer, EFE
Uma autópsia será realizada nesta segunda-feira para tentar identificar a causa da morte, afirmou o funcionário.
Entre 600 e 700 pessoas estavam no cativeiro de Knut e viram o urso de 4 anos de idade morrer, relatou a agência de notícias alemã DAPD.
Uma visitante disse que assistiu Knut boiar sobre a superfície da água sem movimento, mostrando apenas suas costas por dez minutos, até que os funcionários do zoológico chegaram e cercaram o local.
"Todo mundo se perguntava: 'O que está acontecendo, por que Knut não está se movendo?'", Disse Camilla Verde, uma italiana de 30 anos, que vive em Berlim.
Todos os funcionários do jardim zoológico que cercaram o cativeiro estavam muito tristes. Uma deles disse: "Ele era o nosso bebê."
Como a notícia da morte se espalhou pela cidade, mais fãs de Knut apareceu no jardim zoológico para lamentar sua perda.
O prefeito de Berlim, Klaus Wowereit, classificou a morte de Knut como "horrível".
"Nós todos gostávamos muito dele", disse Wowereit ao jornal B.Z.. "Ele era a estrela dos jardins zoológicos de Berlim."
O urso polar alcançou fama mundial depois de ter sido rejeitado por sua mãe quando nasceu em cativeiro no dia 5 dezembro de 2006. O filhote fofo foi mostrado ao público 15 semanas depois, e o número de visitas ao zoológico praticamente dobrou desde então, segundo as autoridades.
A "Knutmania" virou até capa da revista "Vanity Fair", em 2007, com o ator Leonardo Di Caprio, feita pela famosa fotógrafa Annie Leibovitz.

http://www1.folha.uol.com.br/bichos/891108-urso-polar-knut-morre-na-alemanha.shtml

sexta-feira, 18 de março de 2011

Cão se recusa a abandonar amigo ferido

Não é necessário entender a língua. . .

Diante de demonstrações desse tipo, fico a pensar se somos realmente "inteligentes" ou se nosso discernimento tirou-nos a solidariedade genuína; falta-me muito para atingir esse nível de doação!
veja o vídeo: http://www.youtube.com/watch_popup?v=7-O4rP1Zj6I&vq=medium#t=63

quinta-feira, 17 de março de 2011

Final feliz!

O cachorro Pinpoo foi localizado na noite de ontem (16) após ficar 14 dias desaparecido. Ele havia sumido no aeroporto Salgado Filho, em Porto Alegre, quando deveria ter embarcado para Vitória (ES).
Divulgação
O cão foi localizado por um sargento da Brigada Militar, no aeroporto Salgado Filho, em Porto Alegre. "A mulher dele me ligou e falou 'você pode parar de procurar seu cachorro porque ele está aqui'", contou Nair.

A dona de Pinpoo afirmou ainda que o cão não aparenta estar com qualquer problema de saúde. Após ser localizado ele bebeu bastante água, passou por dois banhos e já se alimenta normalmente.
O fotógrafo Ronaldo Bernardi/Agência RBS registrou o momento da entrega do animal à feliz dona 



A íntegra da matéria de Fernanda Pereira Neves, está disponível no link: http://www1.folha.uol.com.br/cotidiano/889966-cao-pinpoo-e-reencontrado-apos-desaparecer-em-aeroporto-do-rs.shtml

domingo, 6 de março de 2011

ONG de SP tenta devolver papagaio à mata virgem

Reportagem publicada pela Folha, dá conta que a ONG SOS Fauna está planejando devolver à mata nativa, os papagaios que estão abrigados em Juquitiba (72 km a sudoeste de SP) não conhecem sua mata natal.
São 68 animais da espécie papagaios-verdadeiros que foram retirados com poucos dias de vida dos ninhos em que nasceram, em setembro de 2006, em Mato Grosso do Sul. Fruto da ação de traficantes de animais.
Faltam recursos financeiros para devolvê-los à mata
A volta desses bichos para o local em que nasceram, consequência de uma operação inédita em todo o país, conduzida por uma ONG (Organização Não-Governamental), deve ocorrer em meados deste ano. O que falta são recursos financeiros para o transporte.
A informação é de reportagem de Eduardo Geraque publicada na Folha deste domingo (íntegra disponível para assinantes do jornal e do UOL).
A um custo de R$ 1 por dia com cada papagaio --a conta, portanto, passa dos R$ 100 mil-- uma verdadeira operação de guerra precisou ser montada para que esses bichos pudessem, quem sabe, voltar para casa.
De acordo com Marcelo Rocha, presidente da SOS Fauna, várias instituições e pessoas físicas já ajudaram durante esse tempo. Ele diz ter recebido exclusivamente dinheiro privado. "As esferas de Estado nunca nos ajudaram."
Quando ocorrer, a volta dos papagaios para a mata é voluntária. Um grande viveiro é montado na mata, para uma ambientação. Depois ele é aberto e quem se sentir seguro para voar, voa.


São Paulo 06/03/2011 - 14h48


http://www1.folha.uol.com.br/cotidiano/885238-ong-de-sp-tenta-devolver-papagaio-a-mata-natal-no-ms.shtml 

segunda-feira, 28 de fevereiro de 2011

Portabilidade de crédito permite mudar dívida de banco

A Folha.com publica reportagem sobre a portabilidade, instrumento que permite ao devedor trocar de Instituição Financeira quando qualquer condição do empréstimo ou do financiamento não esteja agradando. 


É importante notar que a portabilidade pode ser exercida em qualquer tipo de empréstimo e não apenas com o financiamento imobiliário.


"Se arrependeu das taxas e das condições contratadas com o banco? Talvez seja o caso de procurar uma outra instituição financeira, já que se trata de uma parceria de longuíssimo prazo.


A chamada portabilidade de crédito, que permite a um devedor levar seu débito para outro banco que oferecer melhores condições, existe desde 2006, mas ainda é incomum no financiamento imobiliário.


Verdadeiro terror dos bancos americanos e europeus, a portabilidade foi criada pelo Banco Central para estimular a concorrência também no Brasil.


Pela portabilidade, o devedor faz uma operação em que empresta dinheiro de um banco para terminar o relacionamento com outro.


A operação não tem custos tributários nem tarifa para transferência. Cobranças de multas também não são permitidas.


O principal entrave no financiamento imobiliário é a necessidade de o credor cobrir novamente os custos cartoriais, pois o imóvel dado em garantia ao primeiro banco terá que passar para a nova instituição.


Os bancos se mostram pouco dispostos a iniciar uma briga por clientes."


No link, a íntegra da reportagem.


http://www1.folha.uol.com.br/mercado/882040-portabilidade-de-credito-permite-mudar-divida-de-banco.shtml


São Paulo, 28/02/2011 - 09h12

quarta-feira, 23 de fevereiro de 2011

USP faz campanha contra os casos de abandono de animais

Reportagem de Cristina Morena de Castro, São Paulo, 23/fev/2011, 09h15


Quem entra na USP, no Butantã, na zona oeste de São Paulo, vê a imagem do olho de um cão e o alerta: "Abandono de animais é crime. Estamos de olho."


Veja as fotos, clicando aqui.


Há dez anos, a universidade vem se empenhando para proteger os animais abandonados, desde que o programa USP Convive foi criado. Nesse período, a iniciativa conseguiu a adoção para cerca de 2.000 animais.
foto de Apu Gomes/Folhapress
Os outdoors "ameaçadores", instalados no ano passado, surtiram algum efeito: em vez de 30 cães abandonados no fim de ano, que é a época em que os casos mais ocorrem, foram cerca de dez.
Mas o campus não para de receber os despejos, que são feitos por pessoas que levam os animais escondidos no porta-malas dos carros."Já deixaram até coelhos, patos, galinhas, maritacas", afirma Elizabeth Rabóczkay, uma das voluntárias que trabalham no canil-destino dos cães abandonados.
À medida que os animais são entregues para adoção --cerca de dez por mês-- novos hóspedes recebem comida e são vacinados, castrados e vermifugados.
Eles costumam ser abandonados quando já estão velhos ou doentes, e muitos morrem atropelados ou vitimados por tiros, venenos, esfaqueamentos e água quente jogada por vândalos.
Quem se interessar em adotar um animal pode acessar o site "Patinhas Online" (www.patinhasonline.com.br), parceiro do programa, ou agendar uma visita ao canil por meio do telefone 0/xx/11/3091-4591.


http://www1.folha.uol.com.br/cotidiano/879744-usp-faz-campanha-contra-os-casos-de-abandono-de-animais.shtml

sábado, 19 de fevereiro de 2011

Conflito nuclear provocaria inverno global e ondas de fome

Reportagem de Ricardo Mioto, publicado pela Folha.com, informa que dois cientista do Laboratório de Física Espacial e Atmosférica dos EUA simularam guerras nucleares entre a Índia e o Paquistão e no Oriente Médio, onde Israel supostamente tem armas nucleares e o Irã tem pretensão de tê-las.
Segundo a reportagem, além dos milhões que morreriam instantaneamente, o cenário pós-guerra seria de caos, pois as explosões levantariam uns 5 milhões de toneladas de fumaça preta e densa que se espalhariam pelo mundo todo.

Em cinco dias, o Egito já estaria "eclipsado" por ela, e a massa escura invadiria a Europa. Em nove dias, a fumaça cobriria o Brasil. De acordo com as simulações, a fumaça acabaria se acomodando em regiões elevadas da atmosfera, acima das nuvens de chuva. Ficaria lá por pelo menos uma década, até começar a desaparecer.
A temperatura média cairia 1,25°C. Pode parecer pouco, mas isso seria a menor temperatura nos últimos mil anos. Como o aquecimento global está mostrando, modificações de frações de grau podem ter grandes consequências, e esfriar é tão ruim quanto esquentar.
Com o planeta ficando mais frio, a evaporação da água diminuiria, e menos chuva e menos luz solar criariam problemas na agricultura e na economia --e fome.
O cenário seria desolador!
Leia na íntegra clicando no link: http://www1.folha.uol.com.br/ciencia/878143-miniguerra-nuclear-provocaria-inverno-global-e-ondas-de-fome.shtml

sexta-feira, 18 de fevereiro de 2011

Uma cruz de borracha

Um colega de trabalho chamou a minha atenção para o artigo de Paul Krugman, publicado pela Folha.com, no dia 31/01/2011.
O fato narrado pelo articulista é um escárnio, pois, à guisa de combater a inflação, os banqueiros querem continuar surfando na onda dos juros elevados.
Além dos prejuízos sociais que provoca, vemos o abandono de outras medidas que contribuem para o combate a inflação, mas estas não interessam aos banqueiros.
no link,  abaixo, leia a íntegra do artigo.

Uma cruz de borracha

Paul Krugman

No sábado, de acordo com o jornal "Financial Times", alguns dos mais poderosos executivos financeiros mundiais realizariam uma reunião fechada com ministros das finanças em Davos, o local em que se realiza o Fórum Econômico Mundial. A principal demanda dos executivos, sugeria o jornal, seria que os governos "parassem de criticar os executivos dos bancos". Aparentemente, socorrer os banqueiros depois que estes precipitaram a pior crise econômica desde a Grande Depressão não foi o bastante -- os políticos também precisam deixar de magoar seus sentimentos.

Mas os executivos financeiros também tinham uma demanda mais substantiva: queriam taxas de juros mais altas, a despeito da persistência de um desemprego elevado nos Estados Unidos e Europa, porque consideravam que os juros baixos estão alimentando a inflação. E o que me preocupa é a possibilidade de que as autoridades econômicas de fato aceitem seu conselho.

http://www1.folha.uol.com.br/colunas/paulkrugman/868319-uma-cruz-de-borracha.shtml

quarta-feira, 16 de fevereiro de 2011

Lula, Dilma e a velha mídia

Emir Sader 15/02/2011


O esporte preferido da mídia é fazer comparações da Dilma com o Lula. Sem coragem para reconhecer que se chocaram contra o país – que deu a Lula 87% de apoio e apenas 4%b de rejeição no final de um mandato que teve toda a velha mídia contra – essa mídia busca se recolocar, encontrar razões para não ser tão uniformemente opositora a tudo o que governo faz. O melhor atalho que encontraram é o de dizer que as coisas ruins, que criticavam, vinham do estilo do Lula, que Dilma deixaria de lado.


Juntam temas de política exterior, tratamento da imprensa, rigor nas finanças públicas, menos discurso e mais capacidade executiva, etc., etc. Como se fosse um outro governo, de outro bloco de forças, com linhas politica e econômica distinta. Quase como se a oposição tivesse ganho. Ao invés de reconhecer seus erros brutais, tratam de alegar que é a realidade que é outra.


Como se o modelo econômico e social – âmago do governo – fosse distinto. Como se a composição do governo fosse substancialmente outra, como partidos novos tivessem ingressado e outros saído do governo. Apelam para o refrão de que “o estllo é o homem” (ou a mulher), como se a crítica fundamental que faziam ao Lula fosse de estilo.


No essencial, a participação do Estado na economia está consolidada e, se diferença houver, é para estendê-la. Os ministérios econômicos e sociais são mais coerentes entre si, tendo sido trocados ministros de pastas importantes – como comunicação, saúde e desenvolvimento – para reafirmar a hegemonia do modelo de continuidade com o governo Lula.


A política externa de priorização das alianças regionais e dos processos de integração foi reiterada na primeira viagem da Dilma ao exterior, à Argentina, assim como no acento no fortalecimento dos processos latino-americanos, como a ênfase na aproximação com o novo governo colombiano e a contribuição ao novo processo de libertação de reféns comprova.


O acerto das contas publicas se faz na lógica do compromisso do governo da Dilma de estabelecimento de taxas de juros de 2% ao final do mandato, alinhadas com as taxas internacionais, golpeando frontalmente o eixo do principal problema econômica que temos: as taxas de juros reais mais altas do mundo, que atraem o capital especulativo. A negociação do salário mínimo se faz com o apoio do Lula. A intangibilidade dos investimentos do PAC já tinha sido reafirmada pelo Lula no final do ano passado.


Muda o estilo, ênfases, certamente. Mas nunca o Brasil teve um governo de tanta continuidade como este, desde que se realizam eleições minimamente democráticas. A velha mídia busca pretextos para falar mal de Lula, no elogio a Dilma, tentando além disso jogar um contra o outro. A mesma imprensa que não se cansou de dizer que ela era um poste, que não existiria sozinha na campanha sem o Lula, etc., etc., agora avança na direção oposta, buscando diferenças e antagonismos onde não existem.


Postado por Emir Sader às 05:47

http://www.cartamaior.com.br/templates/postMostrar.cfm?blog_id=1&post_id=664

sábado, 12 de fevereiro de 2011

Povo, internet e poder

Já se disse que o poder do povo é uma onda, que surge como marola, cresce, adquire força e torna-se, ao menos pode se tornar, devastadora, muitas vezes de forma incontrolável.
O exemplo do Egito é emblemático, assim como o foi anos atrás a ocupação da Praça da Paz Celestial, em Pequim, com uma diferença básica: no caso da terra dos faraós, os militares e seus tanques e canhões ficaram ao lado do povo, se não de maneira explícita, concretamente ao não aniquilarem os manifestantes.
Comemorações no Egito: o ditador renunciou!


As origens e o desfecho da revolta egípcia são de ordem clássica, surgiram com o inconformismo contra a opressão e resultaram no banimento do ditador, gerando, ao menos por enquanto, um cenário de incertezas.
Mas as forças que fizeram com que a onda evoluísse, crescesse, irradiasse a partir da Praça Tahrir para as todo o país, estas sim são dignas de nota.
A rapidez com que o inconformismo se organizou e tornou efetiva sua ação nas ruas deve-se basicamente à internet e suas redes sociais. Nunca a idéia de que informação é poder se materializou de maneira tão contundente e expressiva como agora, deixando o Estado e todos os seus aparatos de controle dos canais convencionais de comunicação à mercê da vontade coletiva, que se mobilizou, organizou, resistiu e venceu, portando como arma um celular ou um computador e usando como munição SMS, Twitter, Facebook. Trata-se de um acontecimento histórico, um marco.
Pelos meios ditos normais, ou mais antigos, quanto tempo demoraria para que uma sociedade conservadora e atrelada ao aparelho estatal e ao religioso demoraria para se mobilizar desta maneira e conseguir de forma tão sensacional seus intentos?
Talvez nunca na historia da humanidade o cidadão comum tenha tido em suas mãos, por intermédio de um simples teclado, tanto poder quanto agora.
SMS, Twitter, Facebook são as ferramentas de um processo revolucionário cujo surgimento estamos tendo o privilégio de assistir.


Luiz Caversan, 55 anos, é jornalista, produtor cultural e consultor na área de comunicação corporativa.

http://www1.folha.uol.com.br/colunas/luizcaversan/874719-povo-internet-e-poder.shtml 12/02/2011 - 12h21

sexta-feira, 11 de fevereiro de 2011

quarta-feira, 9 de fevereiro de 2011

Visão de mundo: estudantes x CEOs

Na hora de decidir, jovens preferem dados à intuição

Por Stela Campos | De São Paulo 09/02/2011

Eles aprenderam a estudar pesquisando na internet e não em livros de bibliotecas. Estão sempre conectados e valorizam a manutenção do networking internacional. Em suas agendas, questões como globalização e sustentabilidade são prioritárias. Na hora de tomar uma decisão, não seguem a intuição pois preferem agir baseados na análise de dados.

Esses são os líderes do futuro. Pelo menos é o que indica pesquisa realizada com mais de 3,6 mil estudantes de administração, de 40 países, incluindo o Brasil. Mais de 80% dos entrevistados estão na faixa entre 20 e 30 anos de idade.



O estudo inédito realizado pela IBM Global Business Services ouviu a opinião dos estudantes sobre questões usadas também em outra pesquisa da consultoria realizada com CEOs. O objetivo era comparar as percepções dos mais novos e dos presidentes sobre os mesmos temas (ver tabela). O levantamento com comandantes incluiu 1,5 mil presidentes, sendo 60 brasileiros. "Pudemos observar que a ordem de prioridades nas agendas é diferente entre os líderes atuais e os futuros. Enquanto os novos colocam a globalização em primeiro lugar, os mais experientes destacam os fatores de mercado", diz Alejandro Padron, diretor de consultoria para varejo e indústria da IBM.
Uma das diferenças interessantes apontada entre os estudos foi em relação aos processos de decisão. "Enquanto os jovens preferem utilizar sua capacidade analítica, os presidentes usam a intuição e tomam decisões com menos informações para poder agir mais rápido", diz Padron. A intimidade dos estudantes com os meios digitais explica essa maior preocupação com a apuração de informações. Os CEOs, por sua vez, têm mais experiência profissional e se sentem mais seguros para decidir com menos dados em mãos.

A nova geração também tem o network no seu DNA, pois está acostumada com o Facebook, o MSN e a ter amigos no mundo todo. "Para eles, é fácil entender intuitivamente que as economias, sociedades, governos e organizações são fruto da interconectividade", diz Padron. Mas, embora os estudantes estejam habituados a lidar com a complexidade, eles dividem com os CEOs a percepção de que o novo ambiente econômico, por ser mais complexo, é também mais desafiador.

Quase metade dos estudantes ressaltam no estudo os benefícios da globalização para os negócios, enquanto 31% dos CEOs concordam que as companhias deveriam se internacionalizar mais para otimizar seus objetivos estratégicos.

Em relação aos consumidores, os futuros líderes prometem ter uma relação diferente do que a praticada hoje. Pelo fato de estarem bem acostumados a consumir on-line, eles têm uma visão mais clara dos direitos do comprador. "Eles valorizam informações precisas e transparentes", afirma Padron. A tendência é que sua gestão dê uma atenção especial à busca de excelência nos serviços. "Muitos viram suas empresas serem responsabilizadas pelas ações de seus fornecedores", diz. Um estudante dos EUA ouvido no estudo diz que "é preciso ter em mente que os efeitos do que uma organização faz se espalham rapidamente pelo mundo". As companhias e pessoas estão cada vez mais conectadas.

http://www.valoronline.com.br/impresso/eu-carreira/108/381481/na-hora-de-decidir-jovens-preferem-dados-a-intuicao

quarta-feira, 2 de fevereiro de 2011

Astronautas da estação espacial tiram foto noturna de Brasília

Colaboração para a Folha, 01/02/2011 - 11h43

"Inconfundível". É assim que o Earth Observatory, ligado à agência espacial norte-americano (Nasa), se refere a Brasília em foto tirada lá de cima do espaço.

A imagem foi feita, no último dia 8, pela tripulação que se encontra na Estação Espacial Internacional (a ISS, na sigla em inglês).

O Earth Observatory também conta uma história resumida de Brasília, destaca o planejamento urbano como um dos melhores exemplos do mundo e elogia o design da cidade.

Veja detalhes na foto:

domingo, 30 de janeiro de 2011

Saiba como evitar problemas com compras pela internet

AMANDA DEMETRIO DE SÃO PAULO 30/01/2011 - 14h27

Para evitar os problemas das compras pela internet, siga algumas dicas.

Antes de fazer a compra, procure o nome da empresa da qual está adquirindo o produto em sites como o reclameaqui.com.br, reputacao.com.br e confiometro.com.br.

Melhor ainda é conversar com alguém que já fez compras pela loja on-line para perguntar sobre a qualidade dos produtos e o cumprimento das condições propostas para a entrega.

Outra dica é planejar com antecedência as compras que serão realizadas, de acordo com Marcos Diegues, do Procon-SP.

Ao ter problemas para fazer contato com uma empresa, o consumidor deve ser cuidadoso. "Uma coisa é ter dificuldades para entrar em contato com a empresa, outra é não ter contato porque a empresa encerrou suas atividades. A segunda beira o golpe", diz Diegues. Nesse caso, é preciso procurar o Procon ou a polícia.

http://www1.folha.uol.com.br/tec/867441-saiba-como-evitar-problemas-com-compras-pela-internet.shtml

Veja também:

Reclamações de lojas virtuais cresceram 320%, diz site

quinta-feira, 27 de janeiro de 2011

Plano de previdência privada versus faça você mesmo

Palavra do gestor :


Plano de previdência privada versus faça você mesmo


Mauro Calil 27/01/2011


É muito fácil vender previdência privada no Brasil. Há uma série de decisões públicas que favorece o vendedor. Durante os cursos e palestras, constato claramente essa facilidade. Sempre que o tema surge, faço duas observações bem simples:


1) Quem deseja pagar menos IR, por favor, levante a mão. E todos levantam as mãos


2) Quem tem certeza de que terá uma aposentadoria digna contando apenas com o sistema público, por favor, levante a mão. E ninguém a levanta.


É justamente na voracidade fiscal e na lacuna governamental que atuam os fundos de previdência privada. A vontade de matar dois coelhos com uma cajadada é tão forte que o preço pago pelo cajado acaba sendo menosprezado.


Para ter o benefício fiscal, o plano de previdência precisa ser o chamado PGBL, no qual o IR é calculado sobre todo o patrimônio e não somente sobre o rendimento. O PGBL permite abater 12% da renda anual tributável no cálculo do IR. Ou seja, uma pessoa que recebe R$ 100 mil por ano deverá pagar 27,5% de IR (retidos na fonte). Caso tenha um PGBL, poderá investir 12% da renda total recebida no ano (neste caso, R$ 12 mil) no fundo e, deste valor, poderá restituir R$ 3.300,00 do IR retido (27,5% dos 12 mil).


No primeiro momento, economizar R$ 3.300,00 pode parecer um bom negócio. No entanto, para avaliar mais precisamente, é preciso considerar o cenário em um prazo mais longo. Vamos considera o prazo de 10 anos, com os R$ 12 mil investidos em um plano de previdência que renda 12% ao ano. É preciso considerar as taxas também. No nosso exemplo, a taxa de carregamento será de 2,5%, a taxa de administração de 2,5% (que calculo no início do período). Com o regime regressivo de IR, no resgate a alíquota será de 10%.


Eis as contas: investimento (R$ 12 mil), taxa de carregamento (R$ -300,00), investimento efetivo (R$ 11.700,00), taxa de administração dos 10 anos (R$ -4.486,57). Temos, então, o valor bruto já descontada a taxa de administração (R$ 25.188,03). O IR, após 10 anos, será de R$ -2.518,80 (portanto, o IR de fato economizado foi de R$ 781,20). Com isso, o valor líquido final será de R$ 22.669,23.


Se, em vez de investir na previdência privada, o investidor optar por aplicar o mesmo valor (R$ 12 mil) em um fundo de renda fixa com a mesma taxa de administração (2,5%) e mesmo rendimento bruto (12%), o IR seria de 15% somente sobre o rendimento. Obviamente, a inflação para um único período é a mesma.


Assim, teríamos o seguinte cenário: investimento (R$ 12 mil) taxa dos 10 anos (R$ - 4.601,62), valor bruto já descontada a taxa (R$ 25,833,88) e IR no fim de 10 anos (R$ - 2.075,08). O valor líquido final seria de R$ 23.758,80.


Ao fim de 10 anos, o benefício fiscal de 5 pontos percentuais, bem como o IR compensado, seria minimizado. Outro ponto que merece destaque é que o fundo de renda fixa poderia gerar uma renda vitalícia de R$ 237,58. Muitos planos de previdência não oferecerem renda vitalícia. Ou não permitem passar o patrimônio para os herdeiros.


Mas como melhorar a rentabilidade do investimento? Uma forma é economizar a taxa de administração do fundo administrando diretamente a previdência por meio da aplicação direta em títulos do tesouro (Tesouro Direto) e em ações de empresas pagadoras de dividendos (setor elétrico, por exemplo), mantendo a rentabilidade de 12% ao ano (80% em TD e 20% setor elétrico pode gerar essa rentabilidade).


Sem a taxa de administração, teríamos: investimento (R$ 12 mil), taxa dos 10 anos (zero), valor bruto (R$ 33.276,95), IR ao final de 10 anos (R$ - 4.99,42). Com os custos de R$ 1.320 (1% de corretagem na compra dos títulos e R$ 10,00 ao mês de custódia). Com isso, o valor líquido final de R$ 26.965,40


Ou seja, ao final de 10 anos, são capitalizados R$ 4.296,17 a mais que o plano de previdência comprado. E esse é o custo de oportunidade do investidor. Ao contratar um plano, haverá a conveniência, mas deixará de ganhar R$ 4.296,17 e uma renda vitalícia de 269,65 ao mês. Tudo isso a partir de R$ 12 mil. Se fossem R$ 120 mil, bastaria multiplicar todos os números por 10, tendo, ao final, R$ 2.696,50 ao mês de renda com apenas 10 anos de aplicação. Para R$ 60 mil, é só multiplicar por cinco. E assim por diante.


Lembro também que para turbinar a aposentadoria é importante economizar nas taxas de administração e carregamento, fazer aportes mensais regulares (o ideal é 10% da renda líquida). E quanto mais tempo melhor. Porém, 10 anos é um prazo já bastante razoável para começar a pensar no assunto.


Mauro Calil é professor, educador financeiro e fundador do Centro de Estudos e Formação de Patrimônio Calil&Calil


E-mail mauro@calilecalil.com.br


Este artigo reflete as opiniões do autor, e não do jornal Valor Econômico. O jornal não se responsabiliza e nem pode ser responsabilizado pelas informações acima ou por prejuízos de qualquer natureza em decorrência do uso destas informações.

http://www.valoronline.com.br/impresso/investimentos/119/374633/plano-de-previdencia-privada-versus-faca-voce-mesmo