sábado, 11 de outubro de 2008

Os cabeças e os planilhas

O texto abaixo de Luis Nassif sobre os "opinadores" é muito bom: qual a qualidade das opiniões que a imprensa divulga? a soldo de quem trabalham esses opinadores, sempre disponíveis?

Os cabeças e os planilhas, Luis Nassif

Seria divertido, não fosse trágico, a perda momentânea do discurso das chamadas fontes econômicas em permanente disponibilidade e a perda de foco da cobertura econômica. Daqui a pouco serão criados novos chavões que passarão a ser repetidos como mantra.

Hoje, tem-se uma situação totalmente distinta daquela de duas semanas atrás. Problemas escondidos que apareceram, incêndios lavrando. Mas não houve tempo ainda para a uniformização do discurso. Aí as fontes em permanente disponibilidade repetem o bordão anterior, sem tempo para renovar, os papagaios ecoam, criando uma balbúrdia infernal.

Por exemplo:

Raul Velloso continua com o mantra de reduzir despesas para enfrentar a crise. Até tem sua dose de razão porque a atividade econômica vai cair e, com ela, a arrecadação. Mas não analisa o impacto da provável queda de juros sobre o superávit porque ele não é especialista em juros. E como o Jornal Nacional não é especialista em economia, coloca o discurso do Raul como se fosse o tema relevante do momento.

Maílson (da Nóbrega) repete Raul. Depois, repete (Celso) Pastore. Depois, repete o grande macro-economista Natan Blanche.

(Fábio) Giambiagi e (Alexandre) Schwartsman insistem que o problema é a inflação e o governo tem que aumentar os juros.

Pastore insiste que o câmbio tem que cair e o equilíbrio externo deve ser alcançado com recessão. Essa é a diferença dos seres estatísticos (como Pastore, figura maior, Schwartsman, em outro nível), especialistas que enxergam o mundo apenas através da sua área de especialidade (Velloso e Giambiagi) e opinadores (Maílson).

Compare com a visão de conjunto de Delfim (Neto), (Yoshiaki) Nakano, com a visão histórica de (Luiz Gonzaga) Belluzzo, com a visão sólida de operador de (Ibrahim) Eris e se entenderá que a planilha é relevante, desde que o dono da planilha tenha a visão de conjunto para definir as correlações relevantes.

Ou seja, um bom planilheiro medindo os impactos dos modelos pensados por Nakano e Delfim vale mais do que um planilheiro querendo entender o mundo a partir da sua planilha.